Cia. Ludens festeja 10 anos com 'Dançando em Lúnassa'

As eleições presidenciais irlandesas de 7 de novembro de 1990 foram um marco para o país: pela primeira vez, uma mulher foi eleita presidente. No mesmo ano da conquista de Mary Robinson, o dramaturgo Brian Friel escrevia "Dançando em Lúnassa", peça rica em personagens femininas que, situadas no ano de 1936, começam a dar sinais de independência.

MURILO BOMFIM, Agência Estado

21 de junho de 2013 | 11h52

O texto de Friel, também conhecido como Chekhov irlandês, foi escolhido pelo diretor Domingos Nunez para a estreia da companhia Ludens que, fundada em 2003, chegou ao palco apenas no ano seguinte. "Dizer que não foi bom seria uma injustiça", diz Nunez, sobre o espetáculo. "Mas não tínhamos a configuração ideal. Achei que o texto deveria ter uma segunda chance." A peça volta em uma nova versão neste sábado, 22, em comemoração aos dez anos de trabalho do grupo.

O enredo se passa no final de julho, às vésperas do 1.º de agosto, dia conhecido como "Lá Lughnasa", quando, tradicionalmente, se faz uma festa para Lugh, antigo deus celta da colheita. As semanas posteriores compõem o Festival de Lúnassa. É nesse período que a família formada por cinco irmãs, que já não têm os pais, começa a perceber mudanças em sua rotina.

No palco, o cenário simples mostra um cômodo onde vivem as mulheres. Ao fundo, no centro, a grande novidade do recinto: o recém-adquirido rádio (que recebe o nome de Marconi) dá vida à casa e simboliza a chegada da era industrial àquela Irlanda dos anos 1930.

O elenco reúne veteranos. Denise Weinberg, uma das fundadoras do Grupo Tapa, é Kate, a irmã mais velha que faz as vezes de matriarca. "É ela que trabalha fora, traz o dinheiro e cuida das outras meninas", diz a atriz. "É durona, mas, como todo durão, tem uma fachada para a fragilidade: se bater um pouquinho, ela desmorona."

Kate representa a sociedade irlandesa em transição: ao mesmo tempo em que se mostra austera e conservadora, aceita que as irmãs tenham um comportamento "pagão", como diz, diversas vezes, durante a peça.

A ideia de independência feminina é reforçada pela fraca presença masculina entre os personagens, que se resume ao padre Jack, irmão mais velho que reaparece após 25 anos na África e não tem um pulso firme que o caracterize como pai. Há, ainda, o marido de Chris (Fernanda Viacava), com quem tem um filho que narra a peça. Ele passa rapidamente na cidade para anunciar sua ida à Espanha. Sandra Corveloni, Clara Carvalho (também fundadora do Tapa) e Isadora Ferrite completam o quinteto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

DANÇANDO EM LÚNASSA

Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente, 123, metrô Sumaré). Tel. (011) 3801-1843.

6ª e sáb., 21 h; dom., 19 h. R$ 10/R$ 20. Até 19/8. Estreia sábado.

Tudo o que sabemos sobre:
teatroDançando em Lúnassa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.