Cia. de Dionisio Neto:15 anos de trajetória

Dionisio Neto não quer mais saber de escrever. "Já falei tudo o que tinha para falar", declara o autor, que sacudiu o teatro brasileiro do fim dos anos 1990 com sua obra jovem e "suja". Seu negócio agora, ele aposta, é mostrar as peças que já fez. "Tenho que trabalhar pelos textos que existem. Remontá-los, levá-los a outros públicos." E é isso que ele concretiza na mostra Cia. Satélite - 15 anos de Teatro, que começa hoje sua programação.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2010 | 00h00

O evento reúne novos e velhos trabalhos do coletivo. Será inaugurado com a leitura de Desamor, texto inédito que Walcyr Carrasco concebeu para o grupo. Passará por montagens recentes, como Desconhecidos, de 2007. Mas tem seu maior chamariz na oportunidade de relembrar as três obras que revelaram Dionisio: Opus Profundum, Desembestai e Perpétua, que, em breve, deve ser transformada em longa-metragem por José Eduardo Belmonte.

Foi em 1997 que o maranhense mobilizou o Festival de Curitiba com a sua Trilogia do Rebento. Já era ator de Antunes Filho e Gerald Thomas. Tinha jeito de "enfant terrible" e chegou arrombando a porta da dramaturgia nacional com a sua fusão estranha de dois mundos: misturava a alta cultura às novidades do submundo contemporâneo, compunha uma miscelânea de favela com Godard, de Beatles com Shakespeare e Glauber Rocha.

"A gente tem pânico de mofo. O teatro tem de falar dos sentimentos clássicos, mas também tem de falar para as pessoas que vivem agora", resume.

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