Christo ilumina um cinzento Central Park

Graças ao casal de artistas performáticos Christo e Jeanne-Claude, a primavera chegou mais cedo a Nova York. Neste sábado de manhã, com a ajuda de um exército de 600 voluntários, a dupla desfraldou 7,5 mil bandeiras de tom alaranjado - ou açafrão, como insiste Christo - ao longo de uma trilha de 36,8 quilômetros dos caminhos no Central Park.Sustentados por arcos retangulares de vinil de 5,5 metros de altura, as bandeiras integram o projeto Os Portões (The Gates). "Decidimos montar os Portões porque descobrimos que as pessoas em Nova York andam muito nas calçadas", disse Christo, um búlgaro de origem que ficou célebre por projetos anteriores como "envelopar" a ponte Neuf em Paris e ilhotas no sul da Flórida."E escolhemos fevereiro porque esse é o único mês do ano em que tínhamos a certeza de que as árvores do parque estariam peladas e de que nós poderíamos ver os portões cor de açafrão bem de longe", acrescentou.Sem contar com nenhum tipo de patrocínio, Os Portões custaram US$ 20 milhões a Christo e Jeanne-Marie, que planejavam o projeto há 26 anos.Os Portões são a maior obra de arte já realizada na história de nossa cidade", disse o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ao apresentar o projeto à imprensa."Eles atrairão milhares de turistas de todo o mundo, que poderão ver que um projeto como esse só poderia acontecer em Nova York."De acordo com a prefeitura da cidade, a instalação permanecerá até o próximo dia 27 de fevereiro e deverão atrair 200 mil turistas, que por sua vez gerarão uma receita de US$ 80 milhões para a cidade.Para erguer as estruturas pré-fabricadas no parque, o time de voluntários trabalhou durante mais de um mês, suportando as baixas temperaturas deste inverno.De acordo com Christo e Jeanne-Claude, "Os Portões" são um "teto dourado criando sombras quentes" em Nova York, e devem ser apreciados faça chuva, neve, ou sol.Os artistas insistem também que seu trabalho, todo feito em material reciclável, não contém nenhuma mensagem estética ou política. "Nós estamos criando trabalhos de arte de alegria e beleza. Os Portões são apenas uma obra de arte. Eles não têm nenhuma proposta, não são um símbolo, tampouco uma mensagem. É apenas uma obra de arte", disse Jeanne-Claude. Além do visual caloroso, um dos traços mais marcantes dos "Portões" é o fato de ser gratuito. Na mais mercantilista cidade do planeta, não é preciso pagar ingresso para cruzar esses estandartes de plástico que balançam a uma altura de 2,13 metros acima do do solo.Mas para quem quiser e puder pagar, os artistas criaram uma série de pôsteres com croquis do projeto, assinados por eles e à venda por US$ 300.

Agencia Estado,

12 de fevereiro de 2005 | 11h49

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