Christo fica nos "Portões" para sentir reação do público

Os artistas Christo e Jeanne-Claude disseram aos representantes culturais que vieram de vários lugares do mundo para participar de um evento em Nova York que eles querem que as pessoas pensem em seus projetos, inclusive o mais recente, os Portões do Central Park, como uma experiência de vida única. "Nós amamos essas palavras: Era uma vez The Gates no Central Park. Uma vez na vida e nunca de novo", disse Jeanne-Claude na recepção de ontem para os representantes culturais em um famoso restaurante do parque. Cerca de 100 representantes de Pequim, Budapeste, Cairo, Jerusalém, Johannesburgo, Londres, Madri, Roma, Santo Domingo e Tóquio viajaram como parte do programa Sister City of the City of New York (Cidade Irmã da Cidade de Nova York). Sua experiência cultural de dois dias também inclui, hoje, uma visita ao Museu de Arte Moderna da cidade, que recentemente foi reaberto após uma reforma. Os representantes pareciam encantados com Christo e Jeanne-Claude, a quem eles encheram de perguntas durante a recepção que se seguiu à visita de The Gates. A instalação de arte que ficará no Central Park até 27 de fevereiro traz 7.500 portões de tecido alaranjado que balançam com o vento e envolvem 37 quilômetros de calçadas do parque."Cria uma espaço para a sua imaginação. Ela realmente parece um rio de luz", disse um dos delegados, Steven Sacks, diretor de artes e cultura de Johannesburg. "Ela interage com você". Os artistas são conhecidos mundialmente por suas monumentais obras de arte, que incluem envolver 11 ilhas de Miami com tecido rosa em 1982; embrulhar com tecido prateado o Parlamento alemão, o Reichstag, em 1995; e abrir 3.100 guarda-chuvas no Japão e na Califórnia em 1991.Christo divertiu os delegados de cultura com histórias de como ele e Jeanne-Claude andaram pelo parque em busca do lugar exato para serem colocados os tecidos. "Nós andamos 161 quilômetros e gastamos três pares de sapato para apontar onde cada portão ficaria", disse Christo. "É um projeto humano. Todos nossos projetos são muito dinâmicos, eles passam emoção por causa do tecido". O artista disse que ele e Jeanne-Claude têm ido ao parque todos os dias, desde que a obra foi inaugurada, e que a resposta do público tem sido positiva, na maioria das vezes, com uma única exceção: um homem que os cumprimenta todos os dias com um comentário negativo."A obra ressalta a beleza do parque. A cor laranja adiciona algo alegre, brincalhão, divertido e charmoso", disse Michael Levin, historiador de arquitetura de Jerusalém. "A transformação do parque é impressionante", ele adicionou.Nobuhiro Ishihara, um artista e antigo curador do Tokyo Wonder Site, um espaço público de arte, disse que ele estava ansioso para ver The Gates para "aprender como as pessoas percebem a arte pública, os pontos positivos e os negativos. Vejo esse trabalho como uma nova arte porque é em um parque tradicional... com o público participando". "É tão maravilhoso para Nova York", disse Veronica Kelly, uma funcionária do Programa Sister City of the City of New York. "Uniu as pessoas e trouxe pessoas de outros lugares do mundo para conhecer nossa grande cidade".

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