Christie´s retira tela de Picasso, mas leilão bate recorde

A Christie´s anunciou a retirada do quadro Retrato de Angel Fernández de Soto, de Pablo Picasso, avaliado em US$ 60 milhões, do leilão que realizará hoje, em Nova York. A casa de leilões decidiu pela retirada do quadro devido à ação movida pelo herdeiro de um antigo dono da obra, que reivindica sua propriedade. O atual dono da tela é o músico Frank Loyd Weber.A Christie´s expressou no comunicado seu pesar pela decisão e disse que a adotou apesar de ontem um juiz de Nova York ter desconsiderado uma reivindicação apresentada por Julius H. Shoeps, herdeiro do antigo dono da obra, Paul Mendelssohn-Bartholdy.Shoeps alegou que este banqueiro, judeu-alemão, teve que abrir mão do quadro nos anos 30 por causa da perseguição nazista.Leilão históricoA retirada na última hora da obra de Picasso do leilão, não influiu no entusiasmo dos compradores, que levaram as vendas da casa a um nível histórico.O leilão de arte moderna e impressionista de Christie´s totalizou US$ 491 milhões, superando a estimativa de US$ 490 milhões e duplicando o recorde de 1990.As vendas foram puxadas por quatro pinturas de Gustav Klimt e um óleo de Paul Gauguin."Levamos 16 anos para chegar aqui. Foi uma venda extraordinária do começo ao fim, apesar do problema com o Picasso", disse Christopher Burge, presidente honorário da Christie´s e leiloeiro da noite.A "tragédia do Picasso" foi a retirada, a quatro horas do início do leilão, do Retrato de Ángel Fernández de Soto, avaliada entre US$ 40 e 60 milhões.A Christie´s aceitou a retirada num acordo com o atual proprietário da obra, a Fundação Andrew Lloyd Weber. O herdeiro de um antigo dono do quadro reivindica sua propriedade e abriu um processo na Justiça.Obras de Klimt também pertenciam a judeus espoliados pelos nazistasA tela de Picasso não era a única do leilão ligada à espoliação de colecionadores judeus por parte de nazistas. As quatro obras de Klimt postas à venda foram restituídas este ano a seus proprietários originais, os herdeiros de Ferdinand e Adele Bloch-Bauer, após quase 10 anos de litígio.O Retrato de Adele Bloch-Bauer II (1912) foi vendido a US$ 87,9 milhões, um número muito acima de seu valor estimado de US$ 60 milhões, bem acima do recorde anterior do artista austríaco, que era de US$ 29 milhões.A pintura mostra Adele Bloch-Bauer, mulher do mecenas de Klimt, Ferdinand Bloch-Bauer, e a única modelo retratada duas vezes pelo artista, surgindo gloriosamente num colorido jardim.As outras pinturas de Klimt, três paisagens, também foram vendidas acima do preço estimado e ficaram na lista dos dez melhores lotes da noite. "Bosque de Bétulas (1903) chegou aos US$ 40 milhões; Macieira I (1912), US$ 33 milhões; e Casas em Unterach sobre o Attersee (1916), US$ 31 milhões.Outros artistas que bateram recordes foram Gauguin, com a venda de sua obra Homem com Machado (1891), por US$ 40 milhões, e o expressionista alemão Ernst Ludwig Kirchner, por Berliner Strassenszene (1913-1914), por US$ 38 milhões.Outro artista austríaco, Egon Schiele, também bateu um recorde pela venda de Einzelne Hauser (1915), por US$ 22 milhões. Dois Picassos ficaram entre os dez melhores do leilão: O Tomateiro (1944), por US$ 13 milhões, e Femmes à Fontaine (1901), por US$ 12 milhões.Foram vendidos 78 dos 84 lotes oferecidos (93%). Entre os compradores, 40% foram dos Estados Unidos, 41% da Europa, 4,3% da Ásia, 2,9% da América Latina, 1,4% da Rússia e 10% de outras regiões.

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