Christiane Torloni estréia "Mulheres Por Um Fio"

Sem pressa para aparecer na televisão outra vez, Christiane Torloni se prepara para encarar o palco sozinha. "A fase da ansiedade profissional já passou, graças a Deus! Aos 47 anos, sei bem o que quero em cada momento da minha carreira. Tudo melhora depois dos 30 anos, sabia?", diz ela. Dorothy Parker, uma sarcástica escritora norte-americana, aceitaria com menor resignação o passar dos anos. "Se eu tivesse vergonha na cara, teria morrido antes, como a maioria dos meus amigos", disse em 1967, aos 74 anos, pouco antes de morrer. O dramaturgo Jean Cocteau entenderia perfeitamente as neuras femininas: do pavor de envelhecer aos romances conturbados. Após a morte trágica de seu pai, foi criado só pela mãe. E talvez tenha se inspirado nela para compor grande parte de sua obra. Hoje, Christiane, Dorothy e Cocteau se encontram no palco do Teatro Renaissance para debulhar o universo feminino através das décadas. E ainda recebem Miguel Falabella como convidado. Ele é o autor de Pour Elise ou Uma Mulher de seu Tempo, o terceiro e último texto de Mulheres Por Um Fio, monólogo com a atriz que estréia sob a direção de José Possi Neto. "Posso ver Dorothy, Cocteau e Falabella conversando na sala. Acho que ele é o único autor capaz de produzir um humor que casa com o texto dos outros dois escritores", opina. De Cocteau, Christiane emprestou a mulher trágica de A Voz Humana e, de Dorothy, roubou a moça sonhadora da crônica Um Telefonema. Falabella criou um ser enlouquecido, às voltas com o ex-marido, a filha, o namorado, a mãe, o massagista e o cirurgião plástico. Em comum, as três mulheres têm um telefone na mão e muitas neuroses na cabeça. Para suportá-las, Christiane conta que se preparou durante seis anos. Possi montou a peça para você. Por que esperou tanto tempo para encená-la? Não estava preparada. Quando soube que teria o olhar de Possi só para mim nessa peça, achei que deveria estar realmente pronta. Quer dizer que deveria estar fora da TV, para se dedicar melhor? Também. Teatro é uma paixão tão específica, que não dá para dividir com mais nada. Devo fazer a novela America, em janeiro, mas nada sei sobre a personagem. Só quando encerrar a peça vou pensar nisso. Afinal, são três mulheres e preciso de tempo total para elas. Acha que cada mulher carrega mesmo muitas dentro dela? Muitas? Umas 80. Li uma pesquisa que diz que as mulheres sofrem 80 variações hormonais por dia. Eu sinto umas 10 e já dá um trabalho... A mulher é tão plural, que deixa o homem perdido. Aliás, essa peça é sobre mulheres mas para homens. Quase um manual. E explica como entender uma mulher que agradece a Deus por ter passado dos 30 anos? (Risos) Digo isso porque a mulher ganha mais sensatez com o tempo. Sou uma atriz melhor hoje do que há 20 anos. Fiquei mais seletiva: depois de provar o melhor uísque, você aprende que não deve aceitar um conhaque Dreher. Uma atriz não pode se poupar pela vaidade. Como é possível não ter uma ruga sem se poupar? Olhe para o rosto da Fernanda Montenegro e da Tônia Carrero e adore cada ruga. Não dá para ser um grande ator sem trazer o mapa no rosto. Não há indícios de que o tempo esteja sendo cruel com você ... Não sabe o que existe atrás desses óculos (risos). Se eu precisar fazer qualquer intervenção, farei com tranqüilidade, para me sentir bem. Foi por isso que reduzi os seios na juventude. E olha que hoje todo mundo só pensa em silicone... Mas é preciso bom senso. Ninguém quer virar o Michael Jackson, né? Mulheres Por Um Fio estréia hoje, para convidados, no Teatro Renaissance (Alameda Santos, 2.233. tel.: 3188-4151) Para o público, a partir de sexta. Com Christiane Torloni e direção de José Possi Neto. Sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h30. De R$ 40 a R $ 50. 14 anos.

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