Christiane Torloni defende sua versão de Helena

Com 28 anos de carreira e dezenas de novelas no currículo, Christiane Torloni não gosta da palavra representar. Diz que brinca quando está no estúdio, sem se importar se os atores com os quais contracena são experientes ou novatos: "A diferença está no jogo que cada um propõe." Escolhida há um ano por Manoel Carlos para protagonizar Mulheres Apaixonadas, Christiane defende sua personagem e diz que Helena não é boazinha. Como você se sente como uma das Helenas de Manoel Carlos, sucessora de Regina Duarte e Vera Fischer? Christiane - Sinto-me reconhecida. Há autores que escolhem alguns atores, mas o Manoel escolhe todos, os 225. Faz um ano que ele me convidou para fazer a Helena, em Miami, no festival de cinema. Já trabalhei com Manoel, interpretei a filha da primeira Helena de sua carreira: Lilian Lemmertez, em Baila Comigo (1981). Era irmã dos gêmeos interpretados por Tony Ramos. Na novela Um Anjo Caiu do Céu, você interpretou a vilã Laila, que foi premiada. Hoje você é boazinha, qual persona você veste melhor? Por mais cafajeste que seja uma personagem, ela não chega aos pés de certos seres humanos. Conheço gente suficientemente bem para dizer que personagem não pode ser tão ruim. Olha que eu já cometi as piores vilanias nas novelas. A Laila era maravilhosa. E a Helena não é tão boazinha assim e deixa isso claro, é transparente. Ela trai o marido, mas não o público. Na novela há mulheres muitos fortes, enquanto a Helena tem sido a rainha do comedimento. Você acha que a personagem dará uma virada? O Manoel guarda a sete chaves o que vai acontecer com Helena. Acho que Tony Ramos sabe muito mais sobre isso do que diz. Como toda mulher, eu sou a última a saber. Se Helena fosse um gênero musical, eu diria que é bossa nova. Com "o barquinho vai, o barquinho vem", o movimento fez uma revolução na música. Sem muito alarde, ela faz a revolução, quebra tabus. O primeiro é o da fidelidade, é uma heroína que trai. Investe no namorado da enteada, mesmo adorando a Luciana (Camila Pitanga). Mesmo com toda a ternura, um tom até infantil, ela pega o homem que quer. Por isso, não espero reviravolta, a Helena pode radicalizar, mas não mudar.Você contracena com atores muito experientes - Tony Ramos, Suzana Vieira, José Mayer, Vera Holtz - mas também com uma turma de novatos. Como você lida com esses dois times? Estar em cena, para mim, é brincar. Acho a palavra re-pre-sen-tar muito pesada. Então no parquinho (TV), eu brinco com crianças da minha idade e com crianças muito mais novas. A graça esta aí, cada grupo propõe um jogo diferente e eu jogo.Leia aqui a íntegra da entrevista com Christiane Torloni

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