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Chris O'Donnell reinventa a carreira com ajuda da TV

Longe do cinema, ator que já interpretou Robin na série 'Batman', estrela o seriado 'NCIS: Los Angeles'

JOÃO LUIZ SAMPAIO , LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h08

"Eu ainda tenho a roupa do personagem guardada em algum lugar lá em casa - e faço casamentos, bar mitzvahs ou festas de formatura", brinca o ator Chris O'Donnell. Ele está falando de Robin, papel que interpretou nos anos 90, quando o diretor Joel Schumacher foi responsável pelos filmes da série Batman.

De lá para cá, sua carreira teve altos e baixos - baixos principalmente, dirão os críticos mais duros. Até que, há três anos, o ator, hoje com 42 anos, voltou à cena com o seriado NCIS: Los Angeles, em que interpreta o agente especial G. Callen. Atualmente na quarta temporada - terceira no Brasil, onde o canal A&E exibe a partir deste mês episódios inéditos -, já é a segunda série mais vista da TV americana. E fez de O'Donnell o mais novo nome de uma lista de atores que, longe do cinema, reinventaram suas carreiras na televisão.

NCIS: Los Angeles é o spin-off (nova série derivada de outra já existente) de NCIS que, por sua vez, nasceu na esteira do sucesso de JAG, que contava a história de advogados e juízes da Marinha norte-americana. NCIS retrata uma equipe de investigadores da marinha e NCIS: Los Angeles trata de uma divisão secreta chamada Escritório de Projetos Especiais, que tem a missão de prender criminosos que ameaçam a segurança do país. "É muito difícil explicar o sucesso que a série acabou tendo", diz O'Donnell.

"Quando começamos, havia uma noção de que a relação de amizade entre o Callen e o agente Sam Hanna seria um eixo importante, em que drama e comédia se uniriam. Mas o fato é que nunca temos como saber ao certo, é apenas quando vamos ao set que as coisas se definem", lembra. Intérprete de Hanna, o rapper e ator LL Cool J concorda. "A química é algo que não se explica, mas o que sinto é que estamos buscando sintonizar a mesma química do original."

O'Donnell começou sua carreira no fim dos anos 80, mas o primeiro filme a colocá-lo em evidência foi Perfume de Mulher, de 1992, no qual interpretava o jovem acompanhante de um militar decadente vivido por Al Pacino. Em seguida, viveu Robin ao lado do Batman de George Clooney e foi cotado para ser o Homem-Aranha, em uma versão que seria dirigida por James Cameron. O projeto, no entanto, não foi adiante, assim como o de um filme da série Batman a ser protagonizado por Robin, e marcou o início de uma série de "não projetos" na carreira do ator, que foi cotado - e eventualmente descartado - para filmes como Titanic e Homens de Preto. Seguiram-se passagens por seriados como Two and a Half Men e Grey's Anatomy.

"Eu não me surpreendo que as pessoas ainda associem minha imagem à do Robin", diz ele, em entrevista concedida em um hotel de Beverly Hills. "O Batman é um personagem incrível, muito importante não apenas na cultura americana como em todo o mundo, então é natural que minha participação na série tenha marcado as pessoas", avalia o ator, que garante não se incomodar com a associação ou com a passagem para a televisão: o que importa são bons papéis. "O que me interessou muito, assim que me ofereceram Callen, foi o mistério em torno dele. É uma pessoa repleta de segredos, nada sabemos de sua família, de suas raízes. Como viver sem saber de onde você veio? É como se nada fosse certo em sua vida - e as possibilidades de um personagem como esse são muito ricas."

Já LL Cool J constrói uma imagem para explicar como se dá o desenvolvimento de um personagem de uma série de televisão. "Imagine que você está dirigindo em meio à neblina e, mesmo com o farol ligado, enxerga muito pouco: o que está à sua frente você vai descobrindo conforme segue na estrada. No cinema, você recebe um personagem e ele tem uma trajetória, início, meio e fim. Aqui, não", adianta. O'Donnell concorda - e acredita que esse é o risco, e a graça, do trabalho. "O mais importante, e você aprende isso rapidamente, é manter a consistência do personagem. Isso é algo que depende do ator. Porque o roteirista tem que pensar na ação, em todos os personagens, em um quadro mais amplo e às vezes perde a mão em determinada passagem. Então você tem que dizer a ele: me desculpe, mas o Callen não faria isso dessa maneira, não diria tal coisa", explica. "E tem outra coisa. Você recebe um roteiro por vez e nem sempre sabe o que está por vir, o que está na cabeça dos produtores. Então, em alguns momentos, precisa chegar para eles e perguntar: por que isso está acontecendo, para onde estamos indo?"

Sobre o futuro da série, O'Donnell - que no início do ano voltou aos palcos da Broadway com The Man Who Had All the Luck, de Arthur Miller, diz que neste momento o foco está em desenvolver ainda mais os personagens. "Na última temporada, os roteiristas têm jogado coisas sutis, plantando sementes, episódio após episódio, e isso agora deve resultar em algo. Imagino que vamos entrar mais e mais em nossas personalidades. Porque, no final das contas, é isso que cria a relação com o público, que faz com que a cada semana as pessoas voltem a ligar a televisão para nos assistir. Mas devemos manter a linha que une drama, ação e comédia, que é uma marca da série", conclui Chris O'Donnell.

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