'Choverá na horta do cinema'

Entrevista com Juca Ferreira, Secretário Municipal de Cultura de São Paulo

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h17

 

 

Qual é o seu plano para os cinemas do centro de São Paulo?

 

São Paulo é uma cidade que pode, dentro de certas cartografias, cumprir um papel de alavanca de uma política cinematográfica, que pode se espraiar para todo o País. Vamos criar um circuito que dê conta das diversas dimensões da economia do audiovisual.

Alguma cidade é modelar nesse sentido? Buenos Aires?

Buenos Aires tem uma excelente política, mas que está mostrando já um certo cansaço. Alavancou um boom, fez convênios com as TVs espanholas, ajudou a escoar. Aqui, a gente capta recursos, faz o filme e bota debaixo do braço porque não tem onde mostrar. Temos de articular políticas. Em vez de concorrermos com o Rio, articular mercados comuns. Incluir também nas cotas de tela um certo porcentual latino-americano. Também estamos fazendo um mapeamento das carências da população da periferia de São Paulo, onde pretendemos instalar 10 salas de cinema. Não há essa falsa oposição entre centro e periferia. O pessoal da moda, por exemplo, acha que a parte promocional do setor tem de ser contemplada no centro, mas a produção seria fora dele.

Mas o sr. acha que dá para fazer essa recuperação dos cinemas ainda nessa sua gestão?

Claro. Eu vim aqui para trabalhar, não para dar nó em pingo d'água. Há abertura para contemplar essa política na revisão do Plano Diretor, que está em curso. Vamos participar dele. Vamos também procurar outras fontes de recursos, e ampliá-los com instituições como o Sesc, instituições privadas e públicas. O Cine Ipiranga ainda não está desapropriado, falta aí pouco mais de R$ 3 milhões, mas vamos depositar. Quero que esses cinemas do centro sejam a cabeça de ponte dessa estrutura que eu falei, que vai alavancar o sistema.

Quais são as outras carências?

Vamos trabalhar em editais para desenvolvimento de projetos. Creio que o roteiro é o elo fraco da cadeia audiovisual, há uma carência nessa área. Vamos fazer editais. O que temos hoje de recursos é metade do que deveria ter, mas estamos em contato com a Ancine, que tem interesse em investir. Na metade deste ano já vai começar a chover na horta do cinema paulistano.

O sr. foi chefe do Manoel Rangel, diretor da Ancine, que acaba de ser reconfirmado para o cargo. Foi uma boa decisão?

Manoel operou com transparência e teve a sensibilidade de perceber que a lei das TVs por assinatura seria boa para o setor. Teve cuidado na implantação de políticas e operou em todos os níveis. Retirá-lo da condução da agência seria um retrocesso. / J.M.

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