Choro: livro resume os três séculos do gênero musical

O choro é um dos poucos gêneros musicais que mantém popularidade através de três séculos. Para contar essa história que vem de 1870 (ano que se convencionou como de seu nascimento) até hoje, o bandolinista Afonso Machado (do grupo Galo Preto) e o jornalista Jorge Roberto Martins escreveram o livro "Na Cadência do Choro" (Novas Direções, R$ 80), que será lançado na noite de segunda-feira no Arte Sesc Flamengo (Rua Marquês de Abrantes, 99). O livro segue a linha de "Na Cadência do Samba", de Haroldo Costa, lançado no início desta década, e conta, com farta e interessante ilustração, como surgiu, quem foram os maiores e quem são os chorões do século 21, num texto ágil, simples e esclarecedor.´É um livro para leigos, que pode ser lido aos pedaços e não pretende esgotar o assunto´, avisa Jorge Roberto Martins, que tem dois programas na Rádio MEC, "Ao Vivo", às terças-feiras, e "Sala de Música", aos domingos e quartas. Ele é filho do compositor Roberto Martins (dos clássicos "Renúncia", "Beija-me" e "Cai Cai")e conhece bem o meio musical de hoje e de antigamente. ´O choro virou moda nos anos 90, mas o mais importante é que os jovens aderiram ao gênero, estudam, tocam e compõem muito. Há Clubes de Choro espalhados por todo o País. É dos poucos estilos que consegue ser, a um só tempo, popular e sofisticado.´Afonso Machado concorda e comemora o bom momento para os músicos chorões ´que estão trabalhando sem parar nos bares da Lapa, no Rio, e também nas outras cidades ´, comenta. Seu grupo, o Galo Preto, é um veterano que completou 31 anos em 2005, mas ele não confiou na experiência para contar a história, pesquisou muito nas fontes disponíveis. ´Não existe muito material específico sobre o choro e até partituras são difíceis, embora tenha melhorado com a internet´, conta. Como quem vive do/e para o choro, Afonso admite não ter sido imparcial. ´Até tentei, mas a gente não foge às preferências. Pixinguinha, por exemplo, ganhou um capítulo inteiro porque é o maior de todos os músicos brasileiros. Meu instrumento, o bandolim, tem um capítulo maior que os outros.´Embora não pretenda esgotar o assunto, o livro desce a detalhes técnicos que o leigo vai adorar, como a divisão de tarefas num regional, como eram chamados os primeiros grupos de choro. ´A flauta solista é responsável pela melodia, o cavaquinho faz o centro - que é o acompanhamento na região aguda somado ao balanço percussivo das palhetadas - e os violões fazem a harmonia, utilizando as notas graves para fazer o ponteado e as baixarias, que são as frases nos baixos o instrumento, que servem de contraponto à melodia´, diz o texto. Em outros momentos, conta casos de chorões, como a do assalto que Pixinguinha sofreria, se não tivesse sido reconhecido pelos ladrões. Eles resolveram escoltá-los e o dinheiro foi gasto numa noitada num bar próximo.O texto guarda o frescor e a alegria de um choro bem tocado e, para escrever, os autores dividiram tarefas (Martins, por exemplo, ficou com o capítulo dedicado às choronas, de Chiquinha Gonzaga a Inês Perdigão, do Choro na Feira), reuniam-se semanalmente para fazer correções e acréscimos mútuos e contaram com a ajuda da atriz Bete Mendes, que é freqüentadora de rodas de choro, dos bares da Lapa, especialista e amante do gênero. Ela assina o prefácio e será apresentadora de um futuro DVD sobre a história do gênero desde o século 19 e os lugares onde ele é ouvido e tocado neste século 21.´Queria fazer um disco como o do livro "Na Cadência do Samba", mas o patrocínio da Petrobrás (pela Lei Rouanet) chegou tarde e menos do que foi pedido. Então só fizemos o livro com tiragem de 3 mil exemplares. O DVD já está aprovado na Lei do Audiovisual com orçamento de R$ 260 mil´, informa o editor Armando Daudt, que já editou livros e discos sobre Heitor dos Prazeres e Ernesto Nazareth. ´O próximo será sobre ´Catulo da Paixão Cearense´ e Haroldo Costa será o autor.´

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