China censura Piratas do Caribe por ´difamar´ o povo

Filme mostra ´imagem demoníaca dos chineses´, segundo agência oficial do país

Agencia Estado

07 Junho 2018 | 08h48

A China censurou partes do filme mais recente da série hollywoodiana Piratas do Caribe por "difamar e distorcer os chineses", disse nesta sexta-feira, 15, a agência de notícias oficial do país, Xinhua. O papel do ator de Hong Kong Chow Yun-Fat, que representa o comandante pirata Capitão Sao Feng, foi reduzido à metade, para apenas cerca de 10 minutos na tela, disse a agência. A Xinhua citou a revista local The Popular Cinema como tendo dito: "O capitão representado por Chow é calvo e seu rosto é repleto de cicatrizes. Ele tem barba longa e unhas compridas, numa imagem que ainda segue a linha da tradição antiga de Hollywood de apresentar uma imagem demoníaca dos chineses." "Os censores chineses também cortaram uma fala de Chow em que ele diz ´bem-vindos a Cingapura´, porque ela dá a entender que Cingapura é terra de piratas", acrescentou a Xinhua. De acordo com a agência, Zhang Pimin, vice-diretor do departamento de cinema da Administração Estatal de Rádio, Cinema e Televisão teria declarado que os cortes foram feitos "segundo os regulamentos relevantes nacionais sobre censura cinematográfica" e em concordância com "as condições reais da China". Os cortes "não prejudicam a continuidade da trama nem a imagem dos personagens", teria dito Zhang, sem dar mais detalhes. Boa bilheteria Apesar disso, Piratas do Caribe - No Fim do Mundo já apresentou boa performance nas bilheterias chinesas, disse a Xinhua, tendo arrecadado 1,18 milhão de iuans (154,8 mil dólares) em seu primeiro dia em cartaz, apenas em Xangai. Não é a primeira vez que um filme de Hollywood provoca a ira da censura chinesa. Fontes do governo disseram à Reuters no início do ano que o premiado com o Oscar Os Infiltrados, de Martin Scorsese, enfrentou problemas por mencionar um plano chinês de comprar equipamentos militares. Mas a censura de filmes exibidos nos cinemas exerce pouco impacto na China, onde versões pirateadas e não censuradas dos filmes mais recentes podem ser compradas facilmente nas ruas por cerca de US$ 1 cada.

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