China censura Mao de Warhol

Quadros que integram retrospectiva do artista na Ásia foram proibidos de serem exibidos em Pequim e Shangai

O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h09

Os célebres retratos de Mao por Andy Warhol (1927-1987), que integram uma grande retrospectiva dedicada ao artista líder do movimento da pop art, não poderão ser vistos na mostra que chegará a Pequim e Shangai no próximo ano.

O anúncio foi feito ontem pelos organizadores da exposição Andy Warhol: 15 Minutes Eternal (O Andy Warhol: 15 Minutos Eternos), título que faz alusão à sua famosa frase: "No futuro, todos serão mundialmente famosos por 15 minutos". O evento homenageia o artista em ocasião do 25º aniversário de sua morte. A mostra reúne mais de 300 obras de Warhol. Entre elas, estavam incluídos 10 retratos em serigrafia e acrílico de Mao Tsé-tung.

O museu Andy Warhol de Pittsburgh, na Pensilvânia (Estados Unidos), lamentou que os retratos tenham sido retirados da exibição, mas não explicou a razão da mudança. "Esperávamos incluir nossas pinturas de Mao na exposição para mostrar o grande interesse que Warhol tinha pela cultura chinesa. No entanto, compreendemos que algumas imagens nem sempre podem ser mostradas na China", declarou o museu em um comunicado.

Já os serviços culturais das cidades de Pequim e Xangai não puderam ser contatados para que pudessem esclarecer os motivos da ausência das obras.

Os retratos de Mao, realizados em 1972 e 1973, marcaram o retorno à pintura de do controverso artista e podem ter sido inspirados pela visita histórica do presidente americano Richard Nixon à China em 1972, quando se encontrou com o pai da Revolução Cultural. Ainda que proibidas em território chinês, as mesmas obras podem ser livremente vistas em Hong Kong, território semiautônomo no sul da China, até março de 2013.

A exposição, que vai percorrer a Ásia até 2014, passará por cinco cidades do continente: Cingapura, Hong Kong, Shangai, Pequim e Tóquio. Entre sua principais atrações, estão pinturas, fotografias, silk screens, desenhos, instalações 3D e esculturas, incluindo trabalhos icônicos como os retratos Jackie (1964), Marilyn Monroe (1967), Mao, Sopa Campbell (1961), Liz de Prata (1963), A Última Sopa (1976), Cápsula do Tempo (1970), além d e diversos autorretratos.

Ao contrário da sua máxima que inspirou a exposição, Warhol, que foi também empresário e cineasta e um dos mais controversos artistas de sua época, conquistou e sedimentou sua fama eterna só após sua morte, em 1987, em decorrência de problemas na vesícula biliar. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.