Chico Diaz

NASCEU NO MÉXICO E CRESCEU NO RIO; É ARQUITETO, MAS PREFERIU O TEATRO; HOJE ENSAIA SEU PRIMEIRO MONÓLOGO E, APESAR DO SUCESSO, DIZ QUE ENTROU TARDE PARA A TV

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

Filho de paraguaios, você veio para o Brasil aos 10 anos. É difícil ser ator brasileiro?

É difícil em qualquer lugar. Sou arquiteto de formação e o lado estético perpassa meu modo de ver o mundo. Acontece que foi no teatro brasileiro que me encontrei. Foi com o Manhas e Manias que descobri o palco, numa época muito simbólica, quando surgiram outros grupos importantes no Rio. Até que o cinema veio e me tirou do palco.

Você é apontado como um "ator perfeito para cinema", mas ganhou fama nacional com a TV.

Engraçado isso. Fiz dezenas de filmes. De Amarelo Manga a Gabriela, mas a TV nos projeta de forma absurda. E olha que comecei tarde. Foi só com o Memorial de Maria Moura, em 1994, com Glória Pires, que ganhei meu primeiro destaque.

Mas o Jáder de Paraíso Tropical tornou você popular. Sentiu grande mudança na sua vida?

O Jáder era um cara engraçado e cafajeste ao mesmo tempo. As pessoas brincavam comigo na rua e tal. Mas, passada a novela, a vida volta ao normal e eu sempre prezo pela privacidade.

Sendo ator em horário nobre e casado com Sílvia Buarque, dá para preservar a vida particular?

Mas é algo que faz parte do nosso caráter. É preciso proteger esse lado da vida. É importante ter a segurança em família.

Segurança que você, de certa forma, não busca na arte. Afinal, está sempre saindo de sua zona de conforto. Um monólogo, por exemplo, não amedronta?

Completamente! Estou ensaiando A Lua Vem da Ásia, inspirado no texto de Campos de Carvalho, que estreia em janeiro no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, e morro de medo de me ver sozinho no palco. Mas, como ator, preciso do abismo à frente para crescer. Sem dificuldade, não tem graça.

E criar dois filhos, principalmente uma menina, coloca-o diante de um abismo?

Até que não. A Irene é muito inteligente! Tem 4 anos e parece ter 10. Menina é diferente de menino. Só agora vejo quanto elas amadurecem mesmo mais rápido. São articuladas desde cedo. Ser pai é a melhor coisa do mundo. Quando olho para meus filhos, dou a volta toda. Vejo meu pai nos meus filhos e, ao mesmo tempo, me vejo neles. Estamos aqui só para isso.

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