Chico Buarque canta na Lapa com Mônica Salmaso

Primeiro show dele no Circo Voador, com uma platéia de várias gerações

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h46

Tinha de tudo no show de Chico Buarque no Circo Voador, no Rio, na noite de quinta-feira, 31. Adolescentes e pós-adolescentes de máquinas fotográficas digitais nas mãos, duplas de pais e filhos e até de avós e netos igualmente fãs do compositor, mulheres apaixonadas cantando de olhinhos fechados e bracinhos pra cima. E tinha Chico, feliz, com a platéia a seus pés, levando a convidada Mônica Salmaso pela mão, para apresentá-la a seu público. Foi a primeira vez dele no palco do circo (o show abriu a série Encontros Tim deste ano). A Lapa o recebeu de braços abertos. Sob a lona, 2.500 pessoas disputavam um bom lugar para ver seu suéter roxo e seus olhos azuis. Do lado de fora, mais algumas centenas acompanhavam tudo por um telão montado para quem não conseguiu ingresso (a procura foi tamanha que tudo se esgotou numa hora), às quais Chico mandou um abraço durante o show. A noite começou com a tímida Mônica, que fez questão de dividir com a platéia sua apreensão - era a primeira vez que ela se apresentava para tanta gente no Rio. "Não é que eu esteja nervosa; eu estou em pânico!", confessou, depois de abrir com "A volta do malandro" e "O velho Francisco", também as primeiras músicas de seu último CD, "Noites de gala, samba na rua". O disco é só com canções Chico. Reinado O circo retribuiu e aplaudiu bastante a cantora, que ainda cantou, acompanhada dos músicos do Pau Brasil, Ciranda da Bailarina, Construção, Olha Maria, Morena dos Olhos d’água, Bom Tempo, Partido Alto. Quando anunciou que seu show solo estava no fim, Mônica anunciou: "Vocês sabem o que vem por aí, né?" Chico veio e imediatamente começaram os gritinhos de "eu te amo!", "lindo!" e o incomum "tu é foda!" Com Mônica, que se mostrou reverente e honrada por estar ali, ele fez o belo dueto de Imagina incluído em Carioca (a turnê do disco teve encerramento informa, depois de passar pelo Brasil e pela Europa). Em seguida, dividiu com ela A Bela e a Fera. Depois reinou sozinho, sempre acompanhado pelas vozes que transformaram o circo num grande coro. O set list foi uma versão compacta do show Carioca, com músicas do CD, como Renata Maria, outros Sonhos, Porque Era Ela, Porque Era Eu e Ela Faz Cinema, e sucessos como Morena de Angola, eu Te Amo, Futuros Amantes e Bye Bye Brasil. "Fico contente de ver vocês cantando juntos", disse Chico a certa altura. De fato, ele parecia comovido com as vozes em uníssono, em especial no bis duplo, com Sem compromisso e Deixa a Menina, e, com Mônica, João e Maria e Quem te viu, quem te vê. O compositor, que já declarou surpresa com o interesse dos jovens por ele, deve ter gostado de vê-los reunidos à sua volta. O casal de namorados Fábio Gonçalves e Emília Nóvoa, ambos de 20 aninhos, assistiram Chico pela primeira vez. "Sou muito fã; ele nem tanto. Mesmo assim, madrugou pra comprar nossos ingressos, esperou três horas na fila, no frio, e agora está aqui comigo. Estou muito, muito feliz!", disse Emília, sorriso imenso no rosto. O poeta Chacal, 56 anos, possivelmente um dos mais velhos presentes, tentava explicar o "fenômeno": "Acho que tem tudo a ver com a recuperação da Lapa, do samba. Chico é um sambista. E toda mistura é saudável".

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