Júlia Rónai/Divulgação
Júlia Rónai/Divulgação

'Chegamos ao limite das nossas forças', dizem funcionários do Teatro Municipal do Rio

Funcionários farão uma assembleia nesta quinta-feira para definir se seguirão trabalhando

Roberta Pennafort e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2017 | 18h13

RIO - Com três meses de atraso salarial, funcionários do Teatro Municipal do Rio fazem nesta quinta-feira, 22, a partir das 11h, uma assembleia para definir se seguirão trabalhando. Parte deles não tem mais dinheiro para a condução e para a alimentação, o que vem inviabilizando a ida diária à casa, no centro do Rio. Por causa da crise no governo estadual, artistas, técnicos e servidores administrativos não receberam sequer o 13º salário de 2016.

Nesta quarta-feira, 21, terminou a temporada popular de Carmina Burana, levada ao palco pelo coro, orquestra e balé como forma de resistência à penúria. Foram quatro récitas a preços abaixo dos praticados usualmente, todas lotadas. Antes das apresentações, o locutor do Municipal leu um texto que falava da situação de desespero dos corpos artísticos e o restante da equipe. O público, que levou doações de alimentos, como vem fazendo desde o início da campanha SOS Teatro Municipal, em maio, reagiu calorosamente, com muitas palmas e gritos de "Fora Pezão" e "Fora Temer". 

"Esse espetáculo é fruto da iniciativa e esforço dos servidores e de funcionários dessa fundação. Estamos dispostos a continuar servindo ao público com nossa arte, porém, com três folhas salariais em atraso, chegamos ao limite das nossas forças, possibilidades e dignidade. Esse espetáculo também é devido ao engajamento da população do Rio de Janeiro, que aderiu de forma tão solidária e carinhosa nossa campanha SOS Teatro Municipal para a arrecadação de alimentos e distribuição de cestas básicas. Perdurando essa situação de atraso, entretanto, não sabemos até quando será possível manter as atividades e a programação", dizia o texto.

Sem figurino, o balé apresentou coreografia inédita de Rodrigo Neri, bailarino do corpo de baile do teatro. A regência foi do maestro titular, Tobias Volkmann. 

"Foi emocionante. Fomos ovacionados, os aplausos eram intermináveis. Montamos o espetáculo para mostrar que, apesar de tudo, estamos trabalhando. O público está conosco. Não sabemos o que vamos fazer agora. Talvez possamos repetir no dia 14 de julho, que é o aniversário do teatro (de 108 anos)", diz Pedro Olivero, representante do coro.

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