"Chega de Saudade" ganha edição americana

Com o título de Bossa Nova - The History of the Brazilian Music That Seduced the World e capa dura, acaba de ser publicado nos Estados Unidos o livro Chega de Saudade, do jornalista e colaborador do Estado Ruy Castro. A obra, um painel do movimento bossa-novista, lançada em 1990 pela Companhia das Letras, é editada na América do Norte pela Cappella Books (352 págs., US$ 26).Não é, entretanto, exatamente o mesmo livro. "Ficou um pouco diferente do publicado no Brasil", explica Castro. Aproximadamente 50 páginas de texto da versão em português foram suprimidas.Segundo o autor, ficaram de fora cerca de 30 páginas que tratavam da história política brasileira e que, na sua opinião, seriam incompreensíveis, bem como 20 páginas de notas, com informações secundárias. A tradução ficou a cargo de Lysa Salsbury.A edição em inglês também é menos "visual" que a brasileira: conta com um número bastante reduzido de reproduções fotográficas. Um último ponto que teve de ser modificado pelo jornalista foi, justamente, o epílogo, porque muita coisa mudou desde o lançamento do livro no Brasil."Nesse período, a bossa nova renasceu, Tom Jobim e Ronaldo Bôscoli, entre outros, morreram, uma série de fatos tornou o texto anterior desatualizado", explica Castro.Além de um epílogo atualizado, a trajetória do movimento protagonizado por João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Morais, Johnny Alf, Elis Regina, Silvinha Teles e tantos outros conta com uma nova discografia, que inclui a bossa nova gravada em CD, preparada no início de 2000 com a ajuda do pesquisador Sérgio Ximenes. "Em 1990, apesar de os CDs já estarem no mercado havia cinco anos, praticamente não havia discos no novo formato de bossa nova", lembra o autor.Corrida - Em 1990, a publicação de Chega de Saudade - A História e as Histórias da Bossa Nova levou a uma corrida de gravadoras dispostas a atualizar velhos discos (além de atrair a atenção de muita gente, entre elas a ministra Zélia Cardoso de Melo, que carregou o livro debaixo do braço no verão de 1991, quando esteve em Búzios).Muitas dessas gravadoras eram japonesas - segundo o autor, o Japão tem um apetite insaciável para o consumo da produção bossa-novista.O próprio livro do jornalista passou a circular no Japão primeiro em português, entre os brasileiros descendentes de japoneses que foram trabalhar no país, depois, em japonês: em 1992, uma tradução foi publicada. O inglês é, portanto, a segunda língua para a qual o livro é traduzido. "No Japão, o livro é igualzinho ao brasileiro; a única coisa que muda é a capa - e o sentido da leitura."

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2001 | 15h16

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