Chega às telas 'Quantum of Solace', nova aventura de 007

Daniel Craig volta ao papel do agente James Bond, após o recorde de bilheteria de 'Cassino Royale'

Luiz Carlos Merten, do Estado de S. Paulo,

04 de novembro de 2008 | 20h43

Daniel Craig chega para a entrevista com o braço na tipóia. O que aconteceu? "Oh, apenas uma luxação, um acidente doméstico." O repórter brinca. "Não fica bem para um intérprete de James Bond ficar caindo à toa." Ele acha graça e emenda. "Antigamente, podia chegar todo quebrado e tenho a impressão que ninguém ia se importar muito. Agora, é uma preocupação geral. Todo mundo quer saber os detalhes." É uma das conseqüências do sucesso. Sexto ator a interpretar o papel do agente secreto criado pelo escritor Ian Fleming na série oficial - após Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan -, Daniel Craig protagonizou a maior mudança de perfil de 007 desde que o personagem irrompeu nas telas. Na verdade, toda essa mudança consistiu num movimento básico - o retorno às origens.   Veja também: Trailer de '007 - Quantum of Solace'    Embora seu tipo físico seja diferente dos atores que mais marcaram no papel - e Connery havia sido o melhor 007, antes dele -, Daniel (ninguém o chama de Mr. Craig) é o que mais se aproxima da descrição do escritor. E ele também é o mais violento dos James Bond da tela. Uma nota de produção, confirmada pelos produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, garante que 007 - Quantum of Solace foi o filme que mais acidentes teve durante a filmagem. Nunca tantos figurantes se machucaram - e tudo em nome de um realismo que transforma as cenas de ação em grossas pancadarias. Na tela, Daniel bate e arrebenta. Sua luta com o vilão Green (Mathieu Amalric) é brutal, mas o ator, mesmo com braço na tipóia, é um homem elegantíssimo. Daniel não é muito alto, tem aquele físico de lutador, cheio de músculos. Se o terno não fosse bem cortado, poderia parecer meio bronco. Mas ele não revela quem é o estilista. "É da minha coleção particular."     Daniel está relaxado, para quem enfrenta o desafio de ter de superar a receita do mais bem-sucedido - nas bilheterias - 007 de todos os tempos. Mas ele realmente não está muito preocupado. "Assinei contrato para quatro filmes, ainda terei mais duas chances se este não der certo", diz. Quantum of Solace, que ganha o acréscimo de 007 no Brasil, não é um título fácil. O que vai chamar o público é o duplo zero, com a licença para matar. Quantum é o nome da organização criminosa que o herói combate, e que tem a fachada da defesa ecológica, embora Mr. Green esteja mais interessado em controlar reservas de água. Quantum of Solace quer dizer alguma coisa como ‘um certo consolo’. Tem tudo a ver com o filme, ainda marcado pela dupla perda que o herói sofreu no anterior, Cassino Royale.     Pela primeira vez na franquia, o filme é uma seqüência e começa apenas uma hora depois da morte de Vesper, a bondgirl interpretada por Eva Green em Cassino. Vesper não apenas morria, como o herói descobria sua traição. Ela o amava, ou não? 007 é um homem torturado pela dúvida que lhe produziu a quebra de confiança. É um personagem complexo. Exige um ator que represente de verdade. É onde entra a experiência teatral de Daniel Craig. Ele confessa que tem sentido falta do palco, e diz que vem do teatro a obsessão perfeccionista que o leva a querer repetir as cenas, dramáticas ou de ação, mesmo depois que o diretor já se deu por satisfeito. Daniel transformou o sucesso em liberdade de escolha. "Na verdade, é disso que se trata. Podia até errar, mas sempre escolhi o que fazer. O problema é que não tinha muitas opções, porque não me ofereciam grande coisa. Agora, é o contrário. Recebo todo tipo de scripts e o meu contrato como 007 não exige exclusividade." Ah, sim, as mudanças na série atingem uma coisa tão pequena, mas tão essencial, quanto o fato de ele, desta vez, não dizer uma só vez a fala - ‘Meu nome é Bond.’"     007 - Quantum of Solace (Reino Unido-EUA/2008, 106 min.). Ação. Dir. Marc Forster. Cotação: Bom. Estréia 6.ª (7/11)

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