Chega às livrarias a biografia de Paulo Coelho

'O Mago' é lançado com 100 mil exemplares na 1ª edição e tem promessa de tradução para 40 países

Ubiratan Brasil, de O Estado de S. Paulo,

30 de maio de 2008 | 23h58

Paulo Coelho na mira de fotógrafos no festival de Cannes. Foto: Jeff Christensen/Reuters      SÃO PAULO -  Fernando Morais pretendia dar o título Em Carne Viva à sua biografia do escritor Paulo Coelho - seria uma decisão apropriada, uma vez que das mais de 600 páginas resultantes de três anos de pesquisas surgiu o perfil de um homem complexo, revelado sem nenhuma concessão ou mesmo piedade. O problema é que Carne Viva é o título do último romance de Paulo Francis, recentemente lançado pela editora Francis. A solução foi batizar a biografia de O Mago e assim ela chega neste sábado, 31, às livrarias sob a chancela da editora Planeta do Brasil (632 páginas, R$ 60), que promove um esquema monstro de lançamento: são 100 mil exemplares na primeira remessa, além de promessa de tradução para 40 países.  Veja também:Diários de Paulo Coelho mudaram a biografia, conta MoraisCrítica no Brasil desaprova obra de Paulo CoelhoLeia trechos de O Mago  Fernando Morais comenta a biografia de Paulo Coelho  Galeria de fotos com momentos da vida do escritor  Escritor é homenageado com caneta de luxo e nome de rua na Espanha'Analistas financeiros são mais esotéricos que Nostradamus', diz Paulo Coelho Escritor emplaca dois livros na lista de best-sellers do NYT  A dissecação, no entanto, continua a mesma - autor de biografias célebres como Chatô e Olga, Fernando Morais reúne no livro um punhado de informações que vão surpreender o próprio Paulo Coelho que, por acordo firmado, não avaliou o trabalho de apuração tampouco o resultado final. "Ele deve receber o livro na sexta-feira (ontem) e só então descobrir como ficou", conta o biógrafo. A sensação deverá ser a mesma de um homem que se vê nu diante de uma platéia de milhões de pessoas - em O Mago, Morais detalha a trajetória pessoal do escritor vivo que atualmente consegue ser mais traduzido que Shakespeare no mundo. Um relato que não esconde pactos com o Diabo, sacrifícios de animais, internações em hospícios, prisão pelo DOI-Codi, relações homossexuais, consumo de drogas, sucesso como letrista até a descoberta de uma poderosa espiritualidade e a notoriedade como escritor, que o tornou uma figura conhecida até na Sibéria, despertando admiração de reis, papas e chefes de Estado. "Confesso que eu não me sentiria bem se meus segredos mais íntimos fossem revelados dessa forma", comenta Morais, que espera por um telefonema do escritor nos próximos dias, revelando sua opinião. Os detalhes mais surpreendentes, na verdade, foram oferecidos pelo próprio Paulo Coelho. Morais conta ter ficado curioso com um pormenor do testamento do escritor: a determinação de que um baú, trancado à chave e guardado em seu apartamento de Copacabana, seja imediatamente incinerado após sua morte. "Eu quis saber o conteúdo, mas ele dissimulava até que, diante de tanta insistência, propôs um jogo: Paulo me daria as chaves se eu descobrisse quem foi o militar que o prendeu em um quartel no Paraná, em agosto de 1969, confundindo-o com um guerrilheiro." Desafio aceito e cumprido - Morais abriu o baú depois de enviar, por e-mail, os dados pedidos pelo escritor. Lá, a surpresa: 170 cadernos com os diários de Paulo Coelho de 1960 a julho de 1994, além de 100 fitas cassetes, com informações bombásticas, desde descrições objetivas até divagações existenciais. "Tive de alterar todo o trabalho realizado."

Tudo o que sabemos sobre:
Paulo CoelhoFernando Morais

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.