Chega ao fim o 24.º Festival de Dança de Joinville

Domingo chegou ao fim a 24.ª edição do Festival de Dança de Joinville. O formato não mudou muito ao longo dos anos, continua com a mostra competitiva entre alunos de escolas e academias de dança de todo o País na arena multiuso, o Centreventos Cau Hansen. A Mostra de Dança Contemporânea garante um verniz profissional somado às palestras. A novidade deste ano foi a participação de artistas portadores de deficiências físicas. Toda a programação ficou a cargo do conselho artístico composto pela crítica Silvia Soter, a jornalista Suzana Braga, a coreógrafa Carlota Portella e a sapateadora Kika Sampaio.Dentro da programação não faltou glamour. Duas noites de gala animaram o público. A primeira foi com a apresentação de A Criação, de Uwe Scholz, com o Balé do Teatro Municipal do Rio. A segunda contou com a apresentação da David Parsons Dance Company, que abriu a turnê Some Like It Hot, composta por seis coreografias que simplesmente enlouqueceram a platéia. Até demais. Esse foi um ponto baixo, de uma maneira geral, as pessoas não sabem se comportar. Fotos, flashes, celulares e gritos marcaram todas as apresentações do Centreventos.A Mostra Contemporânea não foi apresentada na arena multiuso, com capacidade para 4.500 pessoas, mas no Teatro Juarez Machado, um espaço bem menor. Por lá passaram companhias de dança, na sua maioria, do Rio. O solo Tempo Líquido, interpretado por Maria Alice Poppe e coreografado por Maurício de Oliveira, abriu a agenda. A Focus Cia. de Dança apresentou Quase Uma; Teorema foi o espetáculo apresentado por Márcia Rubin Cia. de Dança.A Cia. Discípulos do Ritmo levou a dança de rua para o palco. Frank Ejara apresentou o solo Som do Movimento. Inspirado nos estilos Popping, Locking, Waving, Boogalooing e Robot, a coreografia sincronizou ruídos diversos com a movimentação corporal. Em seguida, a companhia dançou Fresta, criação de Henrique Rodovalho. A luz comanda a seqüência coreográfica, que mistura dança de rua e contemporânea.A Cia. Dani Lima levou à Cidadela Cultural Antártica a coreografia instalação Falam as Partes do Todo?. Pelo espaço alternativo foram espalhadas as obras da artista plástica Tatiana Grinberg, uma oportunidade de o público dialogar com as duas expressões artísticas. O resultado foi interessante: o estranhamento por parte de alguns e a completa interação de outros, que participaram ativamente da coreografia. O público se animou tanto, que a produção começou a aplaudir para concluir o espetáculo.E Por Falar em Dança foi o nome escolhido para um dia inteiro dedicado aos debates e à reflexão. Leonel Brum discutiu o significado e a produção de videodança no Brasil. "Este termo foi cunhado em 1998 em Paris. Entre as leituras possíveis, costumo dizer que videodança é o resultado híbrido do pensamento do videomaker e do coreógrafo." Em seguida, o público participou de uma mesa-redonda sobre Diferentes Olhares sobre as Danças Populares, com mediação de Carlota Portella e Silvia Soter. Um assunto tão complexo, rendeu debates que seguiram do teatro para o saguão. Por fim, o pesquisador Roberto Pereira discutiu o conceito de dança a partir da palestra Dança não É Coreografia.Um momento especial foi a participação de artistas portadores de deficiência física. Estavam presentes: a Apae de Chapecó, o Projeto Chhai de Joinville, Portadores da Alegria e Pulsar Cia. de Dança ambas do Rio. Após a apresentação, os artistas compartilharam suas experiências e dificuldades. "Creio que o principal aqui é mostrar que dança é diversidade", diz Rogério Andreoli, co-fundador da Pulsar.O Festival de Dança conta com patrocínio Petrobrás e Vivo entre outros e o orçamento anunciado pelos organizadores é de R$ 2,2 milhões. Uma empresa muito bem organizada, que mobiliza toda a cidade. A repórter viajou a convite da organização do festival

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