Chega ao fim a novela global Alma Gêmea

Priscila Fantin tenta disfarçar a comoção. Com apenas 22 anos, ela crava seu nome na história da televisão brasileira. Junto com o novelista Walcyr Carrasco, a jovem atriz construiu um fenômeno: Alma Gêmea termina hoje com um recorde de audiência jamais visto na faixa das seis. Nem Chocolate com Pimenta (2003), a antiga recordista de ibope do horário, se aproximou dos números escandalosos registrados pela inocente história de amor entre a mestiça Serena e o botânico Rafael (Eduardo Moscovis).Compare: o último capítulo de Chocolate com Pimenta, que foi também o mais visto, conseguiu média de 46 pontos. Alma Gêmea marcou 50 pontos já na última segunda, quando ainda faltavam vários capítulos para o aguardado e misterioso final. As duas histórias saíram da mente imaginativa de Carrasco, novelista com talento incontestável para escrever sobre gente do passado. Mesmo cansada, a musa do autor falou ao JT sobre o melhor momento de sua carreira. Priscila teve de trancar o primeiro período da faculdade de comunicação para se dedicar às gravações, que lotaram sua agenda nos últimos oito meses.Jornal da Tarde - Quando Alma Gêmea estreou, muita gente disse que você não convencia na pele de uma índia mestiça. Depois, chegaram a comentar que a personagem falava como o Tarzan. Como recebeu as críticas?Priscila Fantin - Eu sempre me senti desafiada pela Serena. Até o Walcyr (Carrasco, o autor) e o Jorginho (Jorge Fernando, o diretor) acharam que ela seria muito chata! (risos). Tentei fugir o máximo que pude da caricatura. Serena é inocente e esperta ao mesmo tempo. Ela tem frescor e pureza, mas não é bobinha. Esta foi a personagem mais trabalhosa que já vivi porque tive que buscar uma sutileza de interpretação bastante específica. Apesar das críticas iniciais que recebi, acho que no final a dosagem ficou na medida certa.Serena foi mais complicada do que a Maria, de Esperança?São momentos diferentes. A Esperança foi a prova de fogo da minha carreira, eu não esperava que o papel crescesse tanto. A Maria deveria ter morrido logo no início, eu não estava preparada psicologicamente para aquele papel, entende? Ela era muito densa, tinha um filho, sofria demais. Eu gravava o dia inteiro, fiquei estafada. Quando o diretor me falou sobre Serena, já vim forte, pronta para enfrentar qualquer desafio.Você estreou como protagonista de Malhação, brilhou como vilã em Chocolate como Pimenta, experimentou ser a mocinha do horário nobre, esteve no elenco central da minissérie Um Só Coração e agora carrega o maior sucesso das seis. O que falta?Não costumo dizer: já fiz de tudo, então a carreira está ok. O próximo trabalho é sempre o mais importante. Tudo aconteceu muito rápido na minha vida. Acho que falta aprender mais e sempre mais. Penso em fazer cinema, teatro, produzir documentários... É só ficar uma semana sem gravar que já fico pensando em milhões de trabalhos. Por sorte, tenho um rosto que combina com várias épocas e por isso posso trabalhar bastante. Já visitei todas as décadas! (risos).O sucesso das tramas de época, geralmente ingênuas, sem gente despida ou cenas vulgares, significa o que para você?Novela não precisa de sensualidade para conquistar público. Veja a Serena. Ela é uma mulher sem artifícios, não se veste bem, não é instigante. Serena não tem qualquer chamariz clássico de sucesso. Nem maquiagem eu uso! Outro dia queriam saber qual era a marca do meu pó facial. A marca é Priscila Fantin mesmo, de cara lavada. Até as crianças são apaixonadas pela Serena! E não há crítica mais sincera do que a das crianças. Olha, não consigo esconder a minha surpresa, a minha alegria. Eu me dediquei muito e me sinto lisonjeada por ser parte deste sucesso.Três finais possíveis para Serena Alma Gêmea termina em clima de horário nobre. Para despistar os curiosos, Walcyr Carrasco escreveu três finais, como costumam fazer os autores de novela das oito. "Lamento, mas sobre os finais eu não falo", avisa o novelista. Nem a protagonista, Priscila Fantin, sabe qual será seu destino na trama. Apesar do suspense, três desfechos possíveis já foram divulgados por outros membros do elenco.O mais provável é que Serena e Rafael (Eduardo Moscovis) terminem a história vivos e felizes para sempre, como é de praxe nas novelinhas das seis. Priscila torce por um final diferente e mais romântico: os dois morreriam e se encontrariam no plano espiritual. "Seria algo transgressor, algo meio Romeu e Julieta, ousado", compara a atriz. Se esta hipótese for a escolhida, Rafael se coloca na frente de Serena para protegê-la de um tiro da rival Cristina (Flávia Alessandra). Com o susto, a mestiça sofre um ataque cardíaco e morre também.Também é possível que apenas um dos protagonistas sobreviva. De certo, está apenas que Carrasco escreveu um fim trágico para a vilã. Ela deve arder em chamas, literalmente, quando os castiçais da casa de Rafael provocarem um incêndio. "Adoro a Flávia Alessandra. A atriz me surpreendeu muito no papel de má. Também não posso deixar de destacar a Fernanda Souza e a própria Priscila Fantin. Serena esteve brilhante, conseguiu ser forte e suave ao mesmo tempo", destaca o novelista.Apaixonado pela história que encantou o País por mais de oito meses, Carrasco diz que não consegue avaliar a própria trama. "Isso eu não posso fazer. Pecaria por falta de modéstia. Mas afirmo que não faria nada diferente daquilo que foi mostrado. A novela tocou em temas importantes para o público, como ética, crença no amor, misticismo e a certeza de que todos merecemos uma nova chance, nesta ou em outra vida."

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