Chega ao Brasil versão HQ de Jack, o Estripador

O assassino de Whitechapel está de volta. Londres nunca foi tão escura e ameaçadora, e Jack, o Estripador, nunca foi tão insano e cruel. A editora Via Lettera acaba de publicar um dos mais impressionantes álbuns do mais importante escritor de quadrinhos da atualidade, o britânico Alan Moore, Do Inferno (From Hell). É o álbum que ganhou em 1995 o Eisner Award nos Estados Unidos, no qual Moore mergulha num dos grandes mitos da crônica policial, Jack, o Estripador.Jack, o assassino sifilítico, ganha uma nova, vitoriana, gótica e assombrosa atualidade pelas mãos do desenhista Eddie Campbell (de The Complete Alec e The Dance of Life Death), o parceiro de Alan Moore nessa saga. "Jack é o Tiranossauro Rex dos serial killers", disse Campbell, em entrevista à reportagem. "Ele é verdadeiramente mítico, um mistério insolúvel e uma figura que instiga a imaginação por diversas razões", afirmou o desenhista.Para Campbell, Jack o Estripador saiu do terreno da crônica policial para inserir-se no mundo dos personagens clássicos de horror, como Drácula, Frankenstein e a Múmia. "Outros assassinos seriais são apenas horríveis e comuns homenzinhos, e isso não quer dizer que o matador de Whitechapel não o fosse, mas ele acabou sendo transformado num grandioso vilão", afirmou.Campbell e Moore leram inúmeros livros de medicina legal e relatórios relacionados ao caso, como Jack the Ripper A-Z, de Begg, Fido and Skinner. Campbel contou que trabalhou sobre fotos de cem anos atrás, enquanto Moore se ateve a relatórios forenses. "Nós trabalhamos na tradição das teorias conspiracionistas, que requerem um aspecto realístico, documentarístico", disse o artista. "As pessoas gostam de teorias conspiracionistas porque nós ficamos embasbacados quando o acidental parece assumir um papel de destaque no mundo - preferimos pensar que as coisas estão sob controle, mesmo que o controle signifique a atuação de uma demoníaca máquina política", ponderou. "Eu acredito que, se cortarmos alguma coisa profundamente, se nossas incisões forem precisas e persistentes não só revelaremos o funcionamento mais íntimo do objeto em questão, como também seu significado", diz Moore. Ele aplicou com muita precisão essa "tática" em Do Inferno, apoiado pela arte soturna e "grafitesca" de Campbell. A dupla amealhou todas as teses para chegar à própria. "Eu não creio que algum dia venhamos a saber quem ele realmente foi, tudo será sempre especulação", diz Eddie Campbell. "É claro que a teoria da conspiração demanda que o culpado seja alguém importante e, na Inglaterra, não existe ninguém mais importante que a realeza", avaliou.Assim sendo, a dupla retoma uma tese antiga, a de que um membro da família real, o príncipe Edward Albert Victor (conhecido como príncipe Eddie) é o pivô da série de crimes. Ele tem uma filha bastarda com uma balconista londrina e a rainha convoca um carniceiro de aluguel, o médico William Gull, para livrar-se do problema. Mas há testemunhas - um grupo de prostitutas.Alan Moore é o autor do mais celebrado álbum dos anos 80 o clássico Watchmen (de 1986). Nascido em Northampton, Inglaterra, uma cidade industrial entre Londres e Birmingham, cresceu no subúrbio. Em 1971, vivia nas ruas, desempregado e sem perspectivas. É possível afirmar que o trabalho mais importante de Alan Moore é V de Vingança, um impactante libelo antitotalitário publicado em 1982. Com V de Vingança, Moore investiu pesadamente contra a ameaça neonazista que paira sobre a Europa, criando um mundo ficcional de onde o humanismo foi completamente banido.Muita gente vê Moore apenas como um excêntrico, um velho hippie arredio. "Ele tem sido meu amigo por 20 anos e é um ser humano maravilhoso, além de ser um mágico", diz Campbell. "Eu ilustrei muitos dos seus livros mágicos, de The Birth Caul ao novo, que se chamará Snakes and Ladders", anuncia. Outro trabalho novo de Campbell será um comic autobiográfico chamado How To Be an Artist.

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