Chega amanhã aos cinemas documentário sobre Senna

No ano em que Ayrton Senna completaria 50 anos, passados 16 da trágica morte do tricampeão da Fórmula 1, chega amanhã aos cinemas um filme que se propõe a algo difícil: apresentar o piloto brasileiro a todos aqueles que nunca sequer tiveram paciência para assistir a uma corrida inteira, e fazê-los, assim como a multidão de fãs que ele ainda aglutina, também venerá-lo. Durante anos, a trajetória heroica de Senna foi sondada por interessados em transformá-la num drama hollywoodiano. O galã latino Antonio Banderas, inclusive, veio ao Brasil pedir pessoalmente a autorização de Viviane Senna, irmã do piloto, para interpretá-lo na telona.

AE, Agência Estado

11 de novembro de 2010 | 11h04

Mas o resultado é outro. A ficção deu lugar a imagens verídicas dos anos 80 e 90, em que os personagens reais dessa história recriam o ambiente corrosivo do universo das corridas. O filme "Senna" acompanha o ingresso de Ayrton na elite do automobilismo, relembra aos esquecidos e narra aos mais jovens como esse brasileiro galgou espaço entre os maiores do mundo. E, melhor, regozija a memória saudosa de gerações de seguidores de seu ídolo.

Curiosamente, o nome que assina a produção não tem ligações com o mundo da F1. O britânico Asif Kapadia, 38 anos, nunca foi assistir a um GP. Sua torcida sempre foi pelo futebol do time inglês Liverpool. Seu ídolo não era Senna, mas o pugilista Muhammad Ali. Mas o diretor foi o primeiro a render-se ao ''efeito Senna'', como ele mesmo define, no projeto que começou com as histórias que outro britânico ouvia do pai quando criança, James Gay-Rees, da produtora Working Title, responsável pelo filme. "Em 2004, os jornais britânicos lembraram os 10 anos da morte do Senna com artigos sobre sua habilidade exímia. Ele se convenceu de que Senna era especial", diz o roteirista Manish Pandey, este, sim, aficionado. "Só perdi duas das corridas dele. Sou um fanático enciclopédico", diz Pandey. Foi Pandey quem convenceu os produtores a mudar o foco - da morte para a vida de Senna. E coube a ele a parte comovente do longa.

Para conseguir o apoio da família Senna, Kapadia e Pandey vieram a São Paulo há cinco anos. "Vi que eles captaram a essência do Ayrton", diz Viviane Senna, irmã do piloto e que hoje preside a Fundação Ayrton Senna. "O primeiro projeto, com o Antonio Banderas, era comercial demais. Não tinha nada a ver com o Senna. Nunca chegamos a um acordo". O apoio do clã foi essencial para reunir as 5 mil horas de filmagens de corridas, reuniões de pilotos e coletivas que alimentaram os 100 minutos definitivos do filme. Vídeos caseiros da família também foram cedidos à produção. "Viviane fez uma ligação para Bernie Ecclestone (magnata detentor dos direitos comerciais da F-1). Bastaram alguns minutos e o arquivo foi aberto", conta Kapadia. As informações são do Jornal da Tarde.

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