Chega a SP a peça 'Blitz', do dramaturgo Bosco Brasil

A dramaturgia de Bosco Brasil é costurada por um fio básico: relações humanas que, embora banais na aparência, refletem as grandes preocupações do cotidiano. É o caso de "Blitz", que estreia amanhã no Centro Cultural São Paulo.

AE, Agência Estado

16 de julho de 2010 | 11h02

Cabo da Polícia Militar, Rosinha (Marcello Escorel) é admirado no bairro onde mora, na região de baixa renda de alguma grande cidade. Ele é casado com Helô do Pãozinho (Janaína Ávila), balconista de uma padaria. A tranquilidade da relação é quebrada quando o policial é acusado de ter matado um menino de 12 anos, durante uma blitz em uma escola onde procurava armas escondidas.

Rosinha jura inocência, mas a suspeita deteriora a admiração antes sentida pelos vizinhos, que passam a tratá-lo por assassino. A certeza da culpa é tamanha que o sentimento contamina Helô, a ponto de decidir abandonar o marido. É justamente nesse ponto que começa o espetáculo: ao chegar em casa, Rosinha depara-se com uma mala e com a mulher pronta para ir embora.

"Esse texto tem uma característica semelhante aos demais do Bosco: a aposta na essência do drama", comenta Ivan Sugahara, responsável pela direção. "Como em O Acidente e Novas Diretrizes em Tempos de Paz, são apenas dois personagens cujos problemas transparecem questões maiores."

No caso de "Blitz", o que aparenta ser uma discussão de casal avança, no entanto, para um tema mais polêmico, que é a violência urbana e seus reflexos no cotidiano das pessoas. "A peça mostra como a tensão das grandes cidades se infiltra na vida privada, contaminando relações e dificultando o entendimento. Ou seja, a insegurança das ruas entra dentro de casa." Sugahara conta que o dramaturgo pretendia dirigir a montagem, que já passou pelo Rio. Mas, compromissos com a televisão o impediram. "Ele preferiu, assim, me dar liberdade total para criar a direção e, depois de assistir à estreia carioca, ficou emocionado." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Blitz - Centro Cultural São Paulo (R. Vergueiro, 1.000). Tel. (011) 3397-4002. Sexta e sáb., 21h; dom., 20h. R$ 20. Até 15/08.

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