Chef de SP é nomeado "cavalieri" da Itália

Giovanni Bruno está que não se agüenta de tanto orgulho e felicidade depois que recebeu o título de "cavalieri" do governo da Itália. Depois de trabalhar durante 53 anos em restaurantes, de se tornar uma das figuras mais conhecidas e queridas e também de receber o título de Cidadão Honorário da cidade que escolheu, Giovanni Bruno agora é um "cavalieri" do país onde nasceu e não se cansa de mostrar o diploma, que mandou enquadrar e que vai colocar numa das paredes de seu restaurante, Il Nuovo Sogno di Anarello. Giovanni bem merece. Ele começou como lavador de pratos no Gigetto e já era muito querido e conhecido quando foi garçom desse restaurante. O apelido ele ganhou de Antunes Filho, que se inspirou no filme A Rosa Tatuada, no qual havia um personagem com o nome de Anarello. Era o garçom mais querido do Gigetto da Nestor Pestana, que marcou época, foi ponto de reunião de artistas, boêmios, jornalistas e personalidades do mundo político. Muitos esperavam pela mesa que era servida pelo Giovanni, que chegava a emprestar dinheiro para que muitos pudessem pagar o jantar. Com três companheiros do Gigetto ? Sarrafo, Fausto e Jesus ?, Giovanni fundou seu primeiro restaurante, a Cantina do Júlio. Depois, vieram os restaurantes da 13 de Maio, que pegou fogo, e o Giovanni Bruno da Martinho Prado, que foi vendido depois de ter feito enorme sucesso. Impedido de utilizar o seu nome, Giovanni passou a usar o seu apelido e, depois de algum tempo, surgiu, há 20 anos, o Il Nuovo Sogno di Anarello, que fica na Rua Il Nuovo Sogno di Anarello, que só funciona à noite e nos dias de semana. Na genealogia dos restaurantes de São Paulo, o Il Sogno di Anarello é um descendente do Gigetto e ascendente de muitas e muitas cantinas. Piero, foi garçom de Giovanni e espalhou pela cidade várias casas com o seu nome. O Lellis trabalhou no Gigetto, depois com Giovanni Bruno e foi sócio de Piero. Giovanni se destacou como homem de sala, mas sempre gostou de cozinha e "inventou" ou tornou popular muitos pratos, como o hoje mais do que célebre capelete à romanesca, que nasceu ainda no Gigetto, na década de 1950, para agradar a um cliente que voltou da Itália e que havia comido algo semelhante. O romanesca, diz Giovanni, é inspirado no fetucine à parisiense, hoje uma raridade e feito com creme de leite, presunto cozido, manteiga e champignons (R$ 32). Ele ainda começou a fazer as imensas saladas que faz questão de temperar pessoalmente e que, a julgar pela última visita, continuam ótimas e saudáveis. A salada dei Cesari, grandiosa, custa R$ 28 e dá para várias pessoas. Giovanni destaca que a cozinha das cantinas é tipicamente paulistana, aproveitando as mais variadas influências. O Il Sogno di Anarello é uma festa contínua, comandada por Giovanni, que recebe os clientes, anota os pedidos, sugere os vinhos e, se tudo der certo, pode até cantar o seu clássico Champagne, quebrando a taça no fim. O cardápio é imenso, mas é quase uma obra de ficção, pois os clientes têm seus preferidos e Giovanni acaba servindo o que ele quiser aos amigos. A coxa de cabrito alla diavola com um molho de vinho tinto (R$ 54) é outro prato que ele desenvolveu na cantina e que é mesmo ótimo. Há muito, ele faz o filé à romana (empanado na farinha de trigo, com muita salsinha), que agora está servindo com o molho meio adocicado do strogonoff (R$ 34). Uma delícia o "carpaccio", que poderia ser melhor definido como um rosbife muito cru mesmo (R$18). As massas continuam mais do que confiáveis, como demonstraram o penne caprese (com molho de tomate e abobrinha, R$ 28) e o agnolotti de ricota num delicioso molho de tomate (R$ 32). Il Nuovo Sogno di Anarello Rua Il Sogno di Anarello, 58, Paraíso, tel. 5575-4266

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.