Charme latino do gato

A voz de Antonio Banderas torna esse bichano espadachim mais sensual

LUIZ CARLOS MERTEN / RIO , O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2011 | 03h08

Logo no começo de Gato de Botas, o protagonista diz uma frase emblemática, embora as crianças talvez nem prestem muita atenção. Mas é um prazer ouvi-la principalmente na versão com legendas, dita por Antonio Banderas, na sua voz mais de barítono. Referindo-se ao próprio passado de latin lover - do Gato ou do próprio Banderas? -, ele carrega no tempo para dizer que "realmente, foi um gato muuuiiito malvado". O Gato de Botas estreou na sexta e arrastou multidões aos cinemas no fim de semana para assistir à versão em 3-D (em especial).

Há mais de um mês, o diretor Chris Miller esteve no Brasil em companhia de Banderas e Salma Hayek para divulgar o filme. O trio viajou no jato particular do produtor Jerry Katzenberger, da DreamWorks, que aproveitou para reclamar do reduzido número de salas em 3-D no País. Katzenberger pensa com a cabeça de Hollywood. Não leva em consideração que o Brasil não produz filmes em 3-D e que ampliar esse circuito só favorece a produção norte-americana. Mas voltemos ao Gato. O personagem surgiu em Shrek 2 e agora ganha um filme só dele.

Quer dizer - embora protagonista, ele divide a cena com uma gata sexy (voz de Salma Hayek no original) e... um ovo. Chris Miller conta que o roteiro de O Gato de Botas demorou três anos e meio para ser escrito e nunca ficou completamente pronto. "Até seis meses atrás ainda estávamos mexendo no filme e, consequentemente, no roteiro. Mas ele foi muito pensado, em termos de personagens e cenas especiais para 3-D."

O próprio fato de conseguir reunir uma dupla como Banderas e Salma teve consequências no roteiro. "Os dois gravaram suas falas, e com chances de improvisar. Também gravamos as cenas de ação, por exemplo, a dança. Salma dança divinamente e isso inspirou não apenas os desenhistas de produção, mas também o roteiro. Na verdade, a animação é uma coisa complicada. O público pode pensar que tudo é permitido, em termos de imaginação, mas, como na live action, a realidade é sempre inspiradora."

Você pode discutir lances da história, aqui e ali, mas a tecnologia é impecável e o desejo de agregar um humor mais adulto também é interessante. "Embora o filme seja infantil, temos piadas que se dirigem aos pais, inspiradas na química entre Antonio (Banderas) e Salma. E a técnica evoluiu muito." Os pelos do Gato são a melhor prova disso. "Chegamos tão longe quanto possível neste sentido, mas tenho certeza de que se houver um Gato 2 e voltarmos a conversar dentro de alguns anos, a tecnologia terá evoluído tanto que o que agora nos assombra parecerá supérfluo."

O que havia de tão atraente no Gato para merecer um filme solo? "O aporte de Antonio (Banderas) foi fundamental, mas o gato desde logo impôs seu charme latino, o que inclui a sensualidade. E é um espadachim, o que evoca toda uma tradição de aventuras de Hollywood. Mesmo em Piratas do Caribe, no último, havia um duelo de espada entre homem e mulher (Johnny Depp e Penélope Cruz). Tudo isso é muito rico. É um personagem com muitas possibilidades e o Ovo nos permitiu acrescentar um elemento surreal muito atraente." Tudo bem, o Gato é legal, mas por que não um filme com o Donky (Burro), na voz de Eddie Murphy? "Você não é o primeiro a pedir isso. Fale com Jerry (Katzenberger)."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.