Charlô cresce em tamanho e competência

O Charlô mudou bastante, mas continuou com a antiga competência. O endereço é quase o mesmo, pois agora ocupa a casa ao lado do antigo restaurante, mas ele está maior, mais badalado. Antes, um pequeno bistrô, estreitinho, agradável e gostoso. Agora, um ambiente espaçoso, com mais jeito de brasserie e, pelo menos por enquanto, barulhento. Charlô Whately é um dono de restaurante inteligente, tem cultura, vem de uma família de muito bom gosto, que cultiva a boa mesa e conhece o mundo, o que faz muita diferença. Ele começou em Paris, onde, bem jovem, meio hippie, mais preocupado em levar a vida na flauta, defendia um dinheirinho tomando conta e cozinhando para pessoas mais velhas. Uma dessas velhinhas o ensinou a fazer os patês, que abriram a porta para os empreendimentos atuais. Charlô passou a fazer em São Paulo os patês de fígado de frango, diversificou um pouco a produção, passou também a produzir doces e abriu o seu bistrô da Barão de Capanema. Depois, vieram o bufê de festas famosas, a filial do Jóquei Clube e agora o novo e resplandecente restaurante. O patê continua muito bom e é servido no couvert da casa (R$ 3 no almoço e R$ 8 no jantar). O restaurante é alegre, com o bar no centro, colunas iluminadas, rajadas em branco e preto, imitando mármore, banquetas de metal e couro em cada lado. Nas paredes, bonitas fotos em branco e preto e grandes espelhos. Embutida na parede, logo na entrada, uma bela adega climatizada para os vinhos - detalhe mais do que importante. Aliás, a carta de vinhos, feita pelo competente e dinâmico sommelier Paulo com a ajuda do especialista Jorge Lucki, é realmente muito boa, variada, com vinhos de várias importadoras. Compensa pesquisar, pois alguns preços são atraentes. O Les Terrasses, do Priorat (R$ 90), foi uma boa escolha. Um ambiente alegre, buliçoso e badalado. Barulhento demais, mas Charlô já está providenciando um tratamento acústico. Cardápio variado, mesclando os clássicos do Charlô com algumas inovações. Catorze pratos tradicionais da casa com preços entre R$ 16 (a polenta grelhada com salada verde) e R$ 38 (o delicioso peito de pato grelhado com maçãs no maracujá). São doze os novos pratos, com preços entre R$ 18 (a vichyssoise, tradicional sopa fria) e R$ 50 (o camarão com queijo gruyère). Charlô pretende mudar o cardápio periodicamente para aproveitar melhor os ingredientes da época. O jantar misturou clássicos e inovações e agradou bastante. Delicioso o nhoque com funghi (R$ 28), uma das novidades. Nhoque de batata e funghi, dissolvendo na boca e molho rico, talvez até demais. Ótima ainda a polenta grelhada (R$ 16), com um toque queimado delicioso e cebola e tomate picados por cima com salada verde. Saborosa e bastante equilibrada a salada verde com queijo de cabra e figo grelhados (R$ 20). Os elementos combinam e se completam. Também entre as inovações, merece ser conhecido o michui de cordeiro com cuscuz marroquino (R$ 34) - as costeletas de cordeiro desossadas e assadas, macias, servidas com o cuscuz. Para acompanhar, deliciosas cebolas carameladas num molho rico, agridoce, elaborado com vinho tinto e especiarias . O cuscuz marroquino é feito com sêmola de trigo, tem paladar neutro, que assimila o dos molhos. No mesmo alto nível a vitela recheada com damasco. "Bifes" do pernil da vitela enrolados com damasco e alecrim, com um molho do próprio assado e servidos com batatas gratinadas e espinafre (R$ 32). A carne seca com quibebe (R$ 28) poderia melhorar um pouco. Carne gostosa, porém seca demais, servida com banana, o purê de abóbora, o quibebe, arroz e um delicioso feijão preto batido. A carne poderia ser mais molhadinha, com um pouco de gordura e cebola. Sobremesas (de R$ 10 a R$ 14) realmente atraentes e bom café expresso (R$ 1,50).Charlô - Rua Barão de Capanema, 440; tel: 3088-6790; Moderno, amplo, badalado e meio barulhento; Cozinha variada e muito criativa; Aceita cartões.

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