Charlize surge em dose dupla

Vencedora do Oscar de melhor atriz deste ano por Monster, Charlize Theron aplicou-se e fez tudo o que a Academia de Hollywood gosta: belíssima, passou por uma transformação física e virou um bicho para recriar na tela a prostituta que virou serial killer e foi condenado à morte, nos Estados Unidos, pelo assassinato de seus clientes. Se você quiser conferir como é mesmo Charlize, pode retirar nas locadoras o thriller Encurralada, num lançamento em vídeo e DVD da Columbia. O filme de Luis Mandoki não vale grande coisa e o curioso é como a distribuidora caprichou nos extras - coisa que raramente faz em lançamentos de filmes recentes. Em geral, os discos trazem os filmes e só. O de Encurralada tem comentários dos roteiristas, cenas excluídas, final alternativo e trailer. Mas o destaque é mesmo Charlize, ainda mais agora que ganhou o Oscar. Ela faz a mãe que bandidos querem intimidar, seqüestrando seu filho. Cometem um erro fatal - escolhem a vítima errada porque Charlize, antes de Monstro, já vira bicho, aqui, para proteger a sua cria.Charlize 2 - Quando Uma Saída de Mestre estreou nos cinemas, muitos críticos andaram definindo o filme original - Um Golpe à Italiana, de Peter Collinson, de 1969 - como um clássico. Deviam estar brincando. Collinson era um diretor de certa ambição, cujo sociologismo fez certa sensação em obras como O Apartamento dos Sádicos, Na Encruzilhada e Quatro Devem Morrer. Com Um Golpe à Italiana, ele expôs sua mediocridade e iniciou a queda livre. Uma Saída de Mestre narra uma história de vingança. Um grupo planeja o golpe perfeito e, na hora H, um dos integrantes trai os colegas, matando o chefe. Mais tarde, a filha desse homem que morreu vai se unir a outro integrante da quadrilha para vingar o pai. É a personagem de Charlize Theron. Qualquer pessoa que leve a sério este lançamento da Paramount, em DVD e vídeo, deveria ter a cabeça examinada. Mas Charlize é bela e forma uma dupla interessante com Mark Wahlberg, com quem já havia trabalhado em Caminho sem Volta, de James Gray. E, francamente, só com muito esforço o diretor F. Cary Gray conseguiria ser pior do que Collinson. O filme dele tem pelo menos uma boa cena. Veja para saber qual é.

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