Chaplin e dose dupla de Doris Day

Ninguém Segura Esses Fantasmas

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2012 | 03h11

16H05 NA GLOBO

(Spook Inn). EUA, 2010. Direção de Holger Haase, com Annette Frier, Pasquale Aleardi, Thomas Heinze, Tobias Kulzer, Michael Kessler, Sonja Gerhardt.

Depois da morte da mulher, chef compra hospedaria para refazer a vida em companhia dos filhos. O problema é que o local é habitado por fantasmas - de piratas, inclusive. Divertidinho, mas não muito. Reprise, colorido, 96 min.

Andrei Sakharov, Um Homem Livre

23H30 NA CULTURA

(Un Homme Libre, Andrei Sakharov). França/Rússia, 2009. Direção de Iossif Pasterna.

Um dos mais notáveis dissidentes russos, Andrei Sakharov combateu as autoridades da antiga União Soviética, advogando pela paz e contra os riscos do programa nuclear. Isso lhe valeu o Prêmio Nobel de 1975, mas também uma vida de perseguição (e exílio). O documentário de Iossif Pasterna tenta dar conta de tudo isso. Reprise, colorido, 96 min.

Duplo Território

0H30 NA TV BRASIL

Brasil, 2009. Direção de Rogério Corrêa.

Vida e obra de Manoel Paes Neto, investigador que vive mergulhado na violência de São Paulo e que recria, por meio de pinturas, os olhares que traduzem súplica, arrependimento e desejo de liberdade. Seu interesse é pelas pessoas em situação de rua, os pequenos contraventores e os que vivem à margem. Reprise, colorido, 52 min.

TV Paga

O Homem Que Sabia Demais

14 H NO TCM

(The Man Who Knew Too Much). EUA, 1956, Direção de Alfred Hitchcock, com James Stewart, Doris Day, Brenda De Banzie, Bernard Miles, Daniel Gélin, Carolyn Jones.

Completam-se hoje 100 anos de fundação do estúdio Paramount (leia texto nesta edição). E mesmo que não tenha sido programado em função da data, o thriller do mestre de suspense que o TCM exibe à tarde é representativo da parceria do cineasta com a chamada 'marca das estrelas', que durou toda a década de 1950 e produziu clássicos como Ladrão de Casaca, Um Corpo Que Cai e Psicose (já no limiar dos 60). O próprio Hitchcock havia feito a primeira versão inglesa, em 1934 (que tinha mais humor). Casal de norte-americanos em férias no Marrocos têm o filho sequestrado por terroristas que querem garantir sua participação na tentativa de assassinato de um político, em Londres. Toda a ação converge para o concerto de Benjamin Britten no Albert Hall, em Londres, quando o ruído de um tiro será ofuscado pelo bater dos pratos da orquestra. Doris Day, no papel da mãe, tem um grande momento dramático cantando Che Sera, Sera. A canção ganhou o Oscar da Academia. Reprise, colorido, 120 min.

Luzes da Ribalta

17H40 NO TELECINE CULT

(Limelight). EUA, 1952. Direção e interpretação de Charles Chaplin, com Claire Bloom, Buster Keaton.

A maioria da crítica considera este um filme menor de Chaplin, por ser muito sentimental. Na verdade, é uma de suas obras-primas e o testamento artístico do ator e diretor, sobre palhaço decadente que toma sob sua proteção bailarina que sofreu acidente e ficou paralítica. O desfecho é emocionante e a cena em que o velho Calvero contracena com Buster Keaton, o número das pulgas, é um regalo. A jovem Claire Bloom é um assombro e o filme ganhou o Oscar de canção de 1972, quando finalmente foi lançado nos cinemas dos EUA. Até então, permanecera inédito, por conta do exílio de Chaplin, perseguido pelo macarthismo. Reprise, preto e branco, 145 min.

Uma Onda no Ar

18H35 NO CANAL BRASIL

Brasil, 2002. Direção de Helvecio Ratton, com Alexandre Moreno, Babu Santana, Benjamin Abras, Priscila Dias.

Na sequência da consagração internacional de Cidade de Deus, surgiu este outro filme sobre garotos da favela. Em vez do tráfico, eles se engajam num projeto comunitário e social - a Rádio Favela. Simpático, bem-intencionado, mas nem de longe comparável ao impacto da obra-prima de Fernando Meirelles. Reprise, colorido, 92 min.

Confidências à Meia-Noite

20H05 no TELECINE CULT

(Pillow Talk). EUA, 1959. Direção de Michael Gordon, com Doris Day, Rock Hudson, Tony Randall, Thelma Ritter.

Outro filme estrelado por Doris Day - e outro vencedor do Oscar, no caso, o de história e roteiro, que, na época, formavam um só prêmio da Academia. Stanley Shapiro, Maurice Richlin, Clarence Greene e o futuro diretor Russell Rouse - quatro! - dividiram o troféu. Na história, Doris divide a linha telefônica com Rock Hudson. Ela precisa do telefone para trabalhar, ele é um paquerador incorrigível, que passa o tempo conversando com suas conquistas. Brigam feito cão e gato, mas adivinhem se, no final, não se apaixonam. Foi a primeira de uma série de comédias que Doris e Hudson fizeram juntos. Ele era gay, mas vivia no armário. Revistos hoje, aqueles filmes sempre reservam surpresas - há o indefectível momento em que o gay, na pele de macho, banca o gay de mentirinha. Doris canta o tema Pillow Talk, mas o melhor é constatar que Tony Randall e Thelma Ritter, talvez a maior coadjuvante da história de Hollywood, roubam a cena dos 'astros'. Reprise, colorido, 102 min.

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