Chanel No. F-7124

Há algo de não tão perfumado no reino de Coco Chanel. Propagam-se pelos ares rumores de que a estilista que revolucionou a história da moda teria sido antissemita e agente nazista durante a 2ª Guerra Mundial.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

Quem defende que tais rumores são comprovados é o jornalista americano Hal Vaughan, que vive em Paris e lançou na quarta-feira o livro Dormindo com o Inimigo: A Guerra Secreta de Chanel. O autor afirma que a estilista, além do já famoso romance com o oficial alemão Hans Gunther von Dincklage, foi também agente secreta nazista e chegou a participar de missões em Madri e Paris.

Segundo Vaughan, Chanel atenderia sob o número F-7124 e pelo codinome de Westminster, em alusão ao Duque de Westminster, com quem tivera um affair. "Vaughn revela que Chanel era mais que uma simpatizante nazista e colaboradora. Era uma agente nazista trabalhando para Abwehr, a agência de inteligência militar alemã", afirmou em um comunicado a editora Alfred A. Knopf, que publica o livro nos EUA.

Vaughan, autor de outros dois livros históricos, contou também que Dormindo com o Inimigo "é fruto de quatro anos de trabalho intenso" que começou por acaso. "Estava fazendo pesquisas no arquivo nacional da polícia francesa, procurando outra coisa, quando encontrei um documento que dizia: "Chanel é uma agente nazi, seu número é tal e tal... seu pseudônimo é...", disse o autor à Associated Press. "Olhei novamente e pensei: "Que diabos é isso? Não podia acreditar!" Então comecei a remexer seriamente nos arquivos, nos EUA, em Londres, em Berlim e em Roma. E encontrei cerca de 20, 30, 40 documentos contundentes que comprovam que Chanel e seu amante eram espiões de Abwehr."

A Maison Chanel questionou as informações e entrou em contato com os principais órgãos de imprensa do mundo para expressar seu posicionamento. "O livro foi recém publicado e todas nossas reações dizem respeito a extratos do que foi publicado pela imprensa. Mas sabemos, e é fato, que ela teve um relacionamento com um aristocrata alemão durante a guerra, que ela conheceu em Paris nos anos 30. Não era o momento ideal para se ter um romance com um alemão, mesmo diante do fato que a mãe do Barão Von Dincklage era inglesa e de que a relação deles tenha começado antes do início da guerra", afirmou um porta-voz da Chanel em e-mail ao Estado.

Vaughan por sua vez alega dispor de vários documentos e arquivos, além de afirmar que descobriu 12 fitas com comentários antissemitas de Coco. Detalhe importante é que o autor garante ainda que "Chanel era anticomunista frenética e se vendeu aos alemães porque acreditava que Hitler iria "esmagar" Stalin". Outra possível justificativa é que Chanel tenha aceitado entrar para a inteligência nazista em troca da libertação de seu sobrinho, preso em um campo de prisioneiros de guerra.

O livro também insinua que, valendo-se de seu suposto antissemitismo, Chanel teria se aproveitado das leis de expropriação dos judeus para obter o controle total de sua linha de perfumes, destituindo os irmãos Wertheimer, de uma família judia, que a teriam ajudado a transformar o Chanel No. 5 no perfume mais famoso da história. "Sobre a criação da Societé des Parfums Chanel, em 1924, houve altos e baixos na sua relação com os proprietários. Como muitos outros designers, ela nunca estava completamente feliz em ter de desistir de seus direitos de produzir e vender o que ela considerava ser "suas fragrâncias". É por isso que ela fez uso de todos os meios que pôde para tê-lo de volta. Ao final, isto não arruinou sua relação com os proprietários, já que ela vendeu The House of Chanel para a família nos anos 50", declarou a Maison Chanel ao Estado. No Brasil, o livro será lançado em setembro pela Companhia das Letras. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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