Chanel é uma das mulheres do milênio

Estranhas relações à parte, no Brasil Chanel ainda é referência para muitos estilistas, mesmo entre aqueles que não guardam semelhança com o estilo consagrado pela francesa. Alexandre Herchcovitch afirma que "a imagem de mulher forte, revolucionária, que introduziu idéias" é marcante no legado da moda do século 20. "A gente vê colares de pérolas, tailleurs de lã tweed e diz: `Isto é muito Chanel´". Segundo ele, um de seus maiores méritos foi ter usado tecidos antes escondidos na confecção de roupas de baixo, como o jérsei, em vestidos. "Todos sabem quando se trata de um Chanel." Mulher poderosa - Por aqui, os 30 anos da morte de Coco Chanel vão passar praticamente em branco. A exceção é uma peça da dramaturga Maria Adelaide Amaral, que deve ser encenada apenas em 2002. Fernanda Montenegro vai interpretar a famosa estilista. O texto, que está na gaveta há sete anos, foi preparado por encomenda à dramaturga pelo produtor de moda Tércio de Freitas. Maria Adelaide, ao receber a proposta, hesitou ao escrever sobre Chanel: "O universo da moda e essa mulher não têm nada a ver comigo, então eu pensei na época que ela representa". Mesmo assim, topou o desafio e foi se apaixonando pela conturbada vida de Chanel. "Era uma mulher revolucionária, que mudou toda a moda do século passado". Tércio morreu em 1994, o que, segundo Maria Adelaide, suspendeu a montagem. O sonho do idealizador do espetáculo era ter Cleide Yaconis no papel-título da produção. Ulisses Cruz seria o diretor. Mas Cleide, depois de ler o texto, não aceitou o papel e o projeto foi para a gaveta. "A mãe de Tércio sempre ligava para saber quando a peça seria encenada", conta Maria Adelaide. Até que, em 1996, conta ela, a história foi lida por Irene Ravache em um jantar na casa de José Maurício Machline. Todos se encantaram e Machline decidiu produzir a peça. Só impôs uma condição: Fernanda Montenegro teria de ser Chanel. A escolha acabou atrasando mais ainda a produção, já que Fernanda estava com a agenda lotada até janeiro de 2002. Além de Montenegro como Chanel, Maria Adelaide diz que o diretor será Ney Matogrosso. A produção ficará com Machline. "Trata-se de um monólogo, com a estilista lembrando seu passado. Vou mostrá-la impaciente e mal-humorada, do jeito que era. Eu me identifico muito com ela."

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