Chances latinas

Hollywood Reporter especula opções da Academia entre filmes estrangeiros

FLAVIA GUERRA , O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2012 | 03h10

"Chile. A alegria está chegando", dizia, em 1988, o slogan criado pelo publicitário René Saavedra para a campanha do "Não" ao governo do chileno Augusto Pinochet por ocasião do plebiscito convocado pelo próprio ditador, que sofria fortes pressões internacionais, esperando que a população chilena escolhesse que "Sim", queria que ele permanecesse no poder.

É esta a premissa de No, de Pablo Larraín, que integrou a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes este ano, onde, além de cinco minutos de aplauso ao final de sua pré-estreia mundial, levou o Prêmio Cicae, a Confederação Internacional dos Cinemas de Arte.

Se depender das previsões da The Hollywood Reporter (THR) para o Oscar 2013, o Chile pode se preparar para mais alegria. No é o candidato chileno ao Oscar de melhor filme estrangeiro e, segundo diversas previsões que vêm sendo feitas pelos especialistas de Hollywood, é um dos favoritos à estatueta. Em análise sobre os candidatos da categoria, a THR publicou na semana passada um artigo em que cita o longa de Larraín como a aposta quase certeira entre os latinos que disputam uma das cinco vagas à fase final do prêmio. A propósito, a lista final dos concorrentes será divulgada em 10 de janeiro de 2013.

Com No, Larraín diz encerrar a trilogia sobre Pinochet iniciada com Tony Manero e Post Mortem. Além de sua direção mais que competente, o filme tem como vantagem a genialidade de enfocar a batalha do jovem publicitário Saavedra (vivido por Gael García Bernal) em uma luta quase impossível. Foi com criatividade, linguagem publicitária e, claro, alegria, que ele e a oposição venceram a guerra contra Pinochet. Mexicano, filho de exilados chilenos, Saavedra, como ressaltou o diretor, não teve de encarar as atrocidades da ditadura, mas sim as questões ideológicas e de participação em uma luta inglória contra uma ditadura que então se arrastava por 15 anos.

Historicamente, a Academia costuma valorizar temas que mesclam, como Larraín afirmou, questões mais amplas e sociais com os dramas pessoais de seus personagens (Saavedra é separado e tem de lidar com o fato de seu filho viver com a mãe). Não por acaso, o filme é favorito na disputa com outras boas produções latinas, incluindo o brasileiro O Palhaço, de Selton Mello.

Em tempos de Primavera Árabe, em que grandes movimentos sacodem o Oriente Médio, longas que enfocam a luta latino-americana contra as ditaduras que assolaram o continente nos anos 60 e 70 têm se revelado de grande interesse da Academia. É como se, de certa forma, revisitando o drama latino, houvesse também uma reflexão sobre as ditaduras do Oriente. Nesta linha, o representante da Argentina, Infância Clandestina, também se revela outro candidato forte ao Oscar. Coprodução da brasileira Academia de Filmes com as argentinas Historias Cinematográficas e Habitación 1520 e a espanhola Antártida, o longa conta a história de um garoto de 12 anos, filho de militantes, que é obrigado a crescer na clandestinidade após seus pais serem sequestrados. Dirigido por Luiz Puenzo, tem tudo para conquistar os votantes da Academia. Sem contar que foi justamente Puenzo que deu à América Latina seu primeiro Oscar, com A História Oficial, em 1985.

Sobre o candidato brasileiro, a THR não teceu grandes considerações. Afirmou que é um filme "sobre uma trupe circense na estrada, comandada por pai e filho" e fez questão de ressaltar que foi sucesso de público, vendendo mais de 1,4 milhão de ingressos. A revista ressalta ainda que o Brasil não é finalista da categoria desde 1999, quando Central do Brasil, de Walter Salles, foi indicado, rendendo ainda a nomeação de melhor atriz para Fernanda Montenegro.

No ainda não tem data de estreia no Brasil, mas o público paulista pode conferir o longa na 36.ª Mostra Internacional de São Paulo, que será aberta na quinta, dia 18, para convidados, exatamente com o longa de Larraín e traz outras sessões abertas ao público.

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