Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Ceumar em tons de jazz

Cantora volta ao Brasil para lançar o quinto álbum, gravado com um trio em Amsterdã

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 00h00

Ceumar mora em Amsterdã (Holanda) há dois anos, mas frequenta a cidade há meia década e lá se casou com o músico e produtor Ben Mendes. Não, ela não é mais uma daquelas que hypam na mídia sensacionalista usando namorados (ou pais) famosos como trampolim. Discreta, dona de voz cristalina e cativante, autora e intérprete de canções simples e redondas, ela tem brilho próprio.

E está de volta ao Brasil para mostrar parte do resultado de suas vivências europeias. Hoje ela faz show no Sesc Vila Mariana, em tons de jazz, com o material do CD Live in Amsterdam, produzido por Mendes, acompanhada do trio Mike Del Ferro (piano), Frans van der Hoeven (baixo) e Olaf Keus (bateria).

Gravado em 2009, no Tropentheater, de Amsterdã, o CD foi lançado em 2010 na Holanda. Nele, Ceumar e o trio recriam canções dos quatro álbuns anteriores dela, como Didinha (Zeca Baleiro), Banzo (Itamar Assumpção), entre outras (leia abaixo). O lance de Ben Mendes - que é técnico de som e também fez a mixagem e a arte do CD de Ceumar -, é gravar ao vivo, diz a cantora. É por incentivo dele que ela vem na sequência de dois registros feitos direto do palco com plateia.

Ceumar só canta em português, mas o público holandês diz sentir "a poesia da língua portuguesa". "Eles comentam que percebem que as letras têm dimensão romântica. Meu desafio agora como cantora é me colocar ainda mais presente nas músicas, porque pelo fato de eles não compreenderem cada frase tenho de me fazer entender muito mais, então capricho mais na dicção, na melodia da língua."

Às vezes ela também explica do que se trata cada canção, como fez no encarte do CD, só que aqui em inglês. "Mas acho que nem é por aí: eles sentem mais do que analisam. Estou ainda num caminho a ser descoberto de como ser brasileira fora daqui."

Em dois anos que distanciam o show atual daquele gravado, certamente o grupo evoluiu e, apesar de manter a sonoridade próxima do disco, vai mostrar outras versões e outras canções em São Paulo. "O grupo tem essa característica do jazz, que é um pouco livre. Temos uns caminhos, que ainda acompanhamos e seguimos, mas nunca é igual", diz Ceumar. "Não diria que a gente faça jazz, porque o jazz é uma escola que eu nem vivi, mas o melhor do jazz que a gente pode fazer é ter essa liberdade de improvisar, e de que sempre gostei."

Ceumar reconhece que o que tocou os músicos holandeses que a acompanham foi a simplicidade e a despretensão de sua música, que não tem "a elaboração do jazz, nem as harmonias brasileiras mais complexas". "Continuo gostando de melodias e harmonias fáceis de cantar. Acho que foi isso que nos aproximou e que fez eles gostarem de tocar comigo. Mas nessa facilidade a gente tem de fazer as canções ficarem ricas também."

Outros caminhos. Assim como os músicos do trio, Ceumar também trabalha em diversas frentes. "Já estou com eles desde 2006, mas tenho conhecido outros músicos, tenho outras ideias e propostas de trabalho. Fico muito ligada em tudo lá, vou muito a shows, chega muita coisa da África, da Europa inteira, estou muito ligada no folclore europeu. Fico estudando, aprendendo, vendo onde posso fazer a ponte com a minha música. Mas sinto, principalmente, que preciso mostrar a música brasileira que é feita agora, cantar e falar de novos compositores, sem essa coisa saudosista de cantar os mestres do passado."

Um de seus novos projetos é Balkan Meets Brazil, com a percussionista paulista Simone Sou e Oleg Fateev, da Moldávia. Fateev toca bayan, um instrumento parecido com o acordeon, e eles misturam ritmos dos Bálcãs com os do Nordeste brasileiro, como baião e caboclinho. "Já fizemos cinco shows na Holanda e temos vontade de também trazer esse projeto para o Brasil."

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