Ceuma inaugura cinco individuais

Cinco exposições individuais serãoinauguradas nesta quinta-feira, no Centro Universitário Maria Antônia (Ceuma).Cada uma das salas expositivas vai abrigar, até o dia 24, osdesenhos de Ana Kesselring, instalações de Nazareth Pacheco,Cristina Barroso, recentes pinturas de Rodrigo Andrade e ainstalação de Vicente Martinez, formada por estruturas feitascom fita adesiva. Os recentes desenhos produzidos por Ana Kesselring são,mais uma vez, paisagens que a artista constrói por meio delinhas, ora espessas, ora sutis. "Estou lidando com a releituradesse tema paisagem, que é tradicional na pintura como gênero.Estou sempre remetendo a essa tradição no sentido de concordarou discordar dela, ou mesmo mostrar uma visão contemporânea",explica a artista. Se antes eram desenhos feitos a partir doLitoral Norte, agora são paisagens com visões mais urbanas,tiradas de fotografias de lugares por onde Ana passou ou em queteve algum tipo de experiência. Os desenhos foram realizados com carbono sobre papel,uma técnica parecida com a gravura. Com uma agulha, Ana desenhapor cima do papel carbono e, depois, o retira, prática quefunciona como uma monotipia. "Ao mesmo tempo em que desenho,não tenho muito controle sobre a imagem. Essa técnica me deuliberdade já que como não sabia o resultado final, é como seestivesse repetindo o processo de como se lembrar de algumlugar. É como se fosse a memória do lugar." Apesar de seu tema ser a paisagem, a artista afirma queesses não são desenhos de observação. "Não estou comoespectadora da paisagem e sim me fundindo a ela. Não há umaperspectiva linear", diz. Formada em arquitetura, AnaKesselring começou seu trabalho como artista plástica há cercade dez anos. Fez curso de pintura com Sergio Fingermann e comThomaz Ianelli e curso de desenho com Carlos Fajardo. No anopassado, começou a estudar gravura no Museu Lasar Segall,experiência que está refletida nessa atual exposição. Sempredesenho, sempre linhas, até mesmo as telas pretas com riscosbrancos que fazem parte dessa mostra não são pinturas, comoressalta Ana. Além dela, Nazareth Pacheco apresenta peças em acrílicoque fazem parte de seu trabalho de mestrado na Escola deComunicações e Artes da USP, com orientação de Fajardo. Nazarethdefenderá sua tese no dia 26, na própria sala onde estão suasobras. Tortura e aprisionamento são algumas das idéiasdesenvolvidas por Nazareth em sua exposição. "O acrílico é levee pesado já que os blocos têm cerca de 40 quilos, mas,visualmente, são leves", diz a artista que desenvolveu suaspeças por computador. Na parede da sala, uma série de algemas com correntes deferro. No chão, peças que remetem a objetos da época medieval edos escravos feitos para prender as mãos, pés e pescoços depessoas. Segundo a artista, a questão do aprisionamento não é sóum tema de trabalho, mas amplia-se para um nível mundial, social político e econômico. Para completar, Cristina Barroso apresenta a instalação60 Segundos, formada por fotografias antigas de acontecimentoshistóricos que ocorreram no próprio prédio do CentroUniversitário Maria Antônia. As imagens foram colocadas sobre umpapel de parede feito a partir de tabelas de números. Ao ladodessas fotografias, alguns espelhos que remetem ao "presente eao futuro" e espaços vazios propositais que se referem àmemória, como explica a artista que atualmente mora naAlemanha.Serviço - Individuais Simultâneas. De segunda a sexta, das 12 às21 horas; sábado, domingo e feriado, das 9 às 21 horas. CentroUniversitário Maria Antonia. Rua Maria Antônia, 294, São Paulo,tel., 255-5538.

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