Céu e terra nas telas de Deva Dasi

"Mais que o quadro em si, o que importa é o que ele lança no ar. Que ele espalhe sementes, que criem algo novo, que espalhe gérmens sobre a Terra". A frase, do pintor espanhol Juan Miró (1893-1983), inspirou a artista plástica e professora de flamenco Deva Dasi, que preparou seu canteiro e cultivou uma obra. O melhor da colheita será conhecido, nesta sexta-feira, quando ela abrir a exposição Terra Cósmica - A Geografia das Cores, resultado de dois anos de trabalho e de muita pesquisa. Serão 33 telas, algumas aquarelas e cinco panós de seda, usando terras de diversas tonalidades e origens, conchinhas trituradas, cristais, pedras preciosas e semi-preciosas e um leve toque - somente em alguns quadros - de pigmentos químicos para dar cor aos trabalhos. "Terra Cósmica é a tentativa de realizar a interação do ramo terrestre com o tronco celestial, com ajuda da antroposofia (uma doutrina mística). É a tentativa de integrar as forças do céu com as da terra", disse Deva. Ela ressalta que o seu diferencial não é só a coleção de terras, mas sim a busca pela harmonia diante das cores. "A terra é somente a portadora da cor, por isso considero meu trabalho transparente". Formada em geografia e atualmente professora de flamenco, além de discípula de Yoga e tai-chi-chuan, Deva diz sentir uma "explosão da profunda intimidade com essa matéria orgânica". "Foi no mestrado em Geografia, ciência de síntese, que aprendi alguns dos princípios. Com o mestre Liu Pai Lin e o Tao, aprendi que, em nós, terra é o centro do corpo, que tem que ser fortalecido para captarmos a energia yang do céu. Corresponde à carne que envolve, que nos dá uma aparência e uma identidade pessoal". "É tai-chi na pintura", afirma ela.Técnica - Colhido por ela e por amigos, o material passa por um cuidadoso processo de decantação, lavagem, desinfecção, secagem, peneiração e trituração, que pode levar até cinco dias. A terra, segundo conta a artista, vem de Minas Gerais, São Paulo e até da Índia, lugar onde Aparecida Maria Perdigão recebeu o "nome luz" com que assina suas obras - Deva Dasi. "Esse trabalho é necessário, já que a sujeira pode provocar a proliferação de fungos e, com a lavagem, a terra tende a mudar de tonalidade". Um outro cuidado é com a cola utilizada em seus quadros, que ela mesmo faz, usando tutano de boi.Deva já encontrou mais de 40 tons diferentes, com predominância dos marrons, avermelhados, amarelos, rosas, beges, e, mais recentemente, o verde. Mas como ainda não achou "terra lilás e nem azul", quando necessita de uma desses tons é obrigada a usar pigmentos químicos. "Não posso ter essa rigidez, já que minha pintura está baseada na cor", explica. Exposição Terra Cósmica - A Geografia das Cores - Vernissage na sexta, às 20h30. A exposição abre sábado para o público. Local: Parque Avenida Galeria de Arte; Av. Paulista, 1776. Horário de Funcionamento: 24 horas. Entrada Gratuita. Até dia 31.

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