Césinha Pivetta defende raízes do samba em seu 1º disco

Apesar de não aparecer muito na mídia, o samba de São Paulo tem se renovado em diversas rodas, com gente jovem defendendo suas raízes. Um desses expoentes é o cantor e compositor Césinha Pivetta, que vai gravar nesta quinta-feira seu CD de estreia, recebendo um mestre carioca, Waldir 59, da Velha Guarda da Portela.

AE, Agência Estado

20 de junho de 2012 | 11h02

Césinha, de 27 anos, é um dos fundadores do Samba do Bule, que tem lugar mensalmente no Teatro União e Olho Vivo, um dos símbolos de resistência da arte popular independente de São Paulo. Ele é filho do diretor de teatro César Vieira, que criou o teatro e centro cultural há 46 anos. Ali, aprendeu muito sobre a história do País "sob o olhar do sujeito", por meio de manifestações populares, como o circo, a chegança de marujos, o bumba meu boi e principalmente o samba.

"Cresci em um cenário muito musical, e influenciado diretamente e diariamente por nossa música, mas graças ao teatro viajei por diversos países e pude aprender muita coisa em interações musicais como em Cuba e Egito", conta o compositor. "Deste pequeno já me interessei mais pelos instrumentos de percussão, aprendia muito com os batuqueiros do TUOV e depois com a grande percussionista Miriam Cápua. Tentei aprender flauta, piano, mas não durou muito. Mais tarde aprendi algo de cavaquinho e violão, porém uso mais para compor, na roda mesmo gosto é de batucar."

O ouvido musical ele herdou da mãe. "Boa parte da família dela cantou, teve ou ainda tem grupos musicais, seu pai era um bom gaitista." E o gosto pela poesia vem do pai. "Com ele conheci os desfiles de carnaval e figuras do samba como General Carlão, Moisés da Rocha e o grande mestre a quem tenho muito carinho A.C. Botezzelli, o Pelão, que produziu inúmeros músicos de renome como no disco Cartola."

Nesse primeiro CD, além de registrar composições próprias e de seu pai, Césinha quer chamar a atenção sobre o ilustre convidado, "por tudo o que ele representa para o samba em seus 85 anos de vida". Mestre Waldir 59 vai cantar dois sambas de sua autoria, um deles inédito, em parceria com Candeia.

"Conheci Seu Waldir pessoalmente por intermédio da amiga Anita Simões, que atualmente está dirigindo um documentário sobre a vida dele. Depois, enquanto morei no Rio trabalhando no Centro Cultural Cartola, pude me aproximar um pouco mais. Ele me cativou com sua garra (visto que está ficando cego) e pela paixão pelo samba; até comendo ele canta", observa. "Continua compondo muito, o que já quase nos rendeu algumas parcerias, mas que por enquanto estão no forno." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

CÉSINHA PIVETTA

Sala Guiomar Novaes (Alameda Nothmann, 1.058). Tel. (011) 3662-5177. Quinta, 20 h. R$ 20.

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