Cerveja traz fama para mulheres

Se há alguns anos a carreira de muitas modelos era dividida entre antes e depois da Playboy - Luma de Oliveira, por exemplo, tornou-se conhecida ao posar para a revista -, hoje credita-se às propagandas de cerveja o lançamento de beldades. São os publicitários que descobrem (encontram) e primeiro descobrem (despem) as futuras celebridades da beleza. A gaúcha Luize Altenhofen, por exemplo, apareceu em 50 capas de revista, em diversos filmes publicitários e chegou à tevê - teve um quadro no Domingão do Faustão e hoje apresenta o Zona de Impacto, da Sportv -, depois de namorar, de biquíni, um ET num comercial da Skol. Foi substituída, na campanha seguinte, pela paulistana Ellen Rocche - que, embora tenha aparecido na tevê por apenas três segundos, e dividido a cena com um cachorro, fez fama e foi convidada a expor sua rotina num site. Por 80 dias, a modelo teve sua intimidade registrada por câmeras conectadas permanentemente à Internet, o que lhe conferiu ainda mais popularidade e melhores cachês. Em novembro irá mostrar na Playboy os atributos que não chegou a expôr na rede. Como ela, Luize Altenhofen também posou para a revista - que pretende ter em suas páginas outra musa de cervejaria: Tatiana Machado, vulgo Dona Carminha, da campanha da Skol. Tatiana ainda não decidiu se irá ou não aceitar a proposta da Playboy, mas confessou ao JT que, no momento, pensa mais em desenhar roupas do que em tirá-las. "Meu sonho é fazer faculdade de moda, casar e ter filhos", declarou, afirmando não ter a intenção de fazer carreira na tevê ou virar celebridade, a exemplo de muitas colegas. Também convidada a mostrar o corpo na mais lida (ou seria vista?) publicação masculina, a catarinense Maryeva Oliveira - conhecida como "a garota da gotinha" depois de aparecer num comercial da Brahma em que uma gota de suor percorria suas costas - disse não. O interesse da Playboy pelas modelos de propaganda de cerveja se dá, segundo Cynthia de Almeida, a diretora da revista, em função do biotipo das moças, compatível com o que agrada ao leitor. "São mulheres que têm um corpão. O tipo longilíneo se adequa à passarela, mas não é o que o público da revista espera ver." Além de carnes, as beldades etílicas têm "uma cara mais comum", como define Lica Kohmrausch, dona da L´Equipe, a agência de Luize e Maryeva. "As modelos comerciais têm uma beleza mais neutra, similar à de muitas meninas que se vê nas ruas." A Playboy, resgatando a tradição de revelar talentos, quer descobrir nas ruas as anônimas belas. Para isso, está promovendo um concurso que irá escolher três meninas para a capa e ensaio principal da edição de março de 2002. O culto à celebridade é mundial - praticamente todas as revistas, hoje, priorizam colocar famosas na capa -, mas, segundo Cynthia, as 19 edições de Playboy no mundo têm buscado equilíbrio entre conhecidas e desconhecidas. "A opção pela celebridade muitas vezes coloca a questão da beleza física em segundo plano. Numa competição como essa, o principal critério é o estético." O concurso idealizado pela Playboy recebeu o apoio da Brahma. A empresa o patrocina e irá contratar o trio vencedor para aparecer, com exclusividade, nos comerciais da empresa durante todo o ano de 2002. A Kaiser, a única das grandes marcas de cerveja a não fazer parte da AmBev (formada a partir da fusão entre Antártica e Brahma, já detentora da Skol), tem planos de desenvolver promoção similar em parceria com outra revista masculina, a Vip. "Não posso divulgar nada por enquanto", desconversa Silvio Matos, presidente e diretor de Criação da Bates Brasil, agência responsável pela conta da Kaiser - cujo atual mote de campanha é, adivinhe, "mulheres". Matos, um especialista em publicidade de cerveja, traz no currículo a idealização de campanhas para outras grandes marcas. Ao assumir a conta da Kaiser realizou uma pesquisa com 500 mil pessoas para identificar o tema mais apropriado para as novas ações de comunicação da empresa. "Mulher" ganhou disparado - o que, é claro, não surpreendeu o publicitário. "Cerveja é um produto gregário", diz Matos, "e ligado ao prazer. Os homens falam, nesta ordem, de mulher, futebol, trabalho e lazer quando se reúnem para tomar cerveja. Se o assunto é triste, uma demissão por exemplo, a bebida escolhida é outra: uísque ou pinga, dependendo do poder aquisitivo do deprimido." Está explicado por que as propagandas de cerveja têm um clima de festa e reúnem gente feliz. Com a chegada do verão, os personagens desses comerciais - e não só deles - serão felizes com menos roupa. "A sensualidade se acirra nessa época", lembra Gustavo Fagundes, gerente-geral de Marketing da AmBev, explicando por que quase todas as marcas vêm atrelando mulher ao copo de chopp. O perfil feminino procurado pela AmBev é, segundo ele, "o que traduz a sensualidade brasileira". Curiosamente, a campanha "refresca até pensamento", da Brahma, é há nove meses a preferida pelo público, segundo dados da revista Meio&Mensagem - e traz filmes em que não há mulheres, como o da tartaruga que rouba um caminhão cheio de cervejas. Segundo Fagundes, o público adora os bichinhos (outro filme da Brahma traz dois siris) por sua irreverência. Mas não há a mínima chance de que eles roubem o lugar da mulherada. As agências de publicidade já escolheram novos nomes: Janna Palma e Vera Viel, por exemplo, foram escolhidas entre mais de 200 mulheres para fazer, respectivamente, campanhas da Kaiser e Brahma.

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