Centro vai sediar caldeirão de idéias

O sr. poderia explicar do que se trata o projeto do Colégio São Paulo?Marco Aurélio Garcia - O Colégio São Paulo é mais um nome do que uma idéia, do que uma definição institucional. Eu quero que essa definição venha depois de um certo período de experimento. Para explicar, vou usar um pouco de história. A Biblioteca Mário de Andrade, para muitas gerações, foi um ponto de encontro e de socialização cultural, que reunia intelectuais de expressão acadêmica e intelectuais autodidatas. Desde o Professor Antônio Candido, até o próprio João Sayad, que me contou que quando jovem ia lá discutir e alimentar-se de cultura. Além desse fato, temos assistido a alguns cursos fora da academia de muito êxito, como aqueles que o Adalto Novaes organizou pela Funarte. Que reúne um público cultivado, muito amplo, da classe média a alguns setores mais pobres com interesse cultural, fazendo desses espaços uma espécie de universidade aberta. Essas iniciativas tem uma acolhida muito grande, que sensibiliza milhares de pessoas na cidade. Com base nisso, temos a idéia de transformar aquele magnífico auditório da Biblioteca, para realizar uma série cursos, mensais, semestrais, semanais, sobre temas diversos, como cursos de introdução a filosofia, sobre história da literatura brasileira, sobre história do Brasil contemporâneo, curso de introdução à psicanálise... Trazer grandes nomes para isso, e tenho certeza que eles virão. Também faremos ciclos e seminários.Queremos fazer de lá um grande caldeirão onde possa fervilhar muitas idéias, acompanhando um aspecto importante que é o processo de revalorização do centro da cidade. A arquiteta nomeada para regional da Sé (Clara Ant) garante que apresentará em 90 dias um plano direcionado para esse programa, e queremos ver as várias formas que a Secretaria de Cultura vai contribuir. Uma delas, sem dúvida nenhuma, vai ser esse o projeto do Colégio São Paulo. Isso vai, inevitavelmente mexer com o centro, vai ser preciso iluminá-lo melhor, abrir novos comércios, bares. Nada melhor do que tomar um chope ou um vinho depois de um bom seminário.Terminado um primeiro ciclo, talvez daqui um ano, vamos estudar se não podemos transformar esse projeto numa instituição. Que funcione como uma espécie de College de France, uma instituição que tem cursos abertos para o público com grande professores, grandes mestres. A prefeita entende que essa é uma das prioridades, além da periferia. Se tivesse que se estabelecer duas prioridades, seriam as ações na periferia e no centro.

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