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Centro Universitário Maria Antonia abre mostra

Destaque para Pierre Huyghe que recria episódio envolvendo Le Corbusier a partir de marionetes

CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo,

09 de agosto de 2012 | 07h50

Um vídeo enigmático e repleto de referências, Não É Tempo de Sonhar (This Is Not a Time for Dreaming), realizado pelo consagrado artista francês Pierre Huyghe, é o destaque do novo ciclo de exposições que o Centro Universitário Maria Antonia inaugura hoje. As mostras do programa da instituição ocorrerão, a partir de agora, no edifício Joaquim Nabuco, no número 258 da Rua Maria Antonia, que já funcionou como sede do Instituto de Arte Contemporânea (IAC). Prédio pertencente à USP, com instalações que haviam sido reformadas para abrigar exposições.

O ciclo ainda apresenta mostras de Ana Linnemann e Tatewaki Nio, mas é uma rara oportunidade ver a obra de Huyghe no País. Seus trabalhos são realizados em diversas mídias, tanto que sua atual participação na Documenta 13 de Kassel, em cartaz até 16 de setembro, é uma instalação complexa e até cacofônica no meio do parque Karlsaue, reunindo elementos estranhos, como uma estátua nua com a cabeça tomada por uma colmeia de abelhas, plantas, um pedaço de carvalho que remete à histórica obra 7.000 Carvalhos, que o alemão Joseph Beuys apresentou na Documenta 7 de 1982.

Mas no caso do trabalho Não É Tempo de Sonhar, exibido em São Paulo, a referência de Pierre Huyghe é o arquiteto francês Le Corbusier (1887-1965), nome fundamental da arquitetura moderna no Brasil e ídolo de Niemeyer. Em seu vídeo, o artista recupera uma história da década de 1950, a construção do Carpenter Center for Visual Arts, o centro de artes da Universidade de Harvard, nos EUA, encomendado a Le Corbusier. Huyghe recria as camadas desse episódio por meio de um espetáculo de marionetes, filmado em 16 mm em 2004. O trabalho foi comissionado para as comemorações dos 40 anos do edifício.

O vídeo, pertencente ao acervo do Centre Georges Pompidou de Paris, faria, na verdade, diálogo com uma mostra de desenhos que Le Corbusier realizou durante viagem a São Paulo e ao Rio em 1929. A exposição, com curadoria de Rodrigo Queiroz e Hugo Segawa, vem sendo preparada pelo Centro Maria Antonia e seria inaugurada também agora, mas teve de ser postergada. Sua abertura será em breve e vai revelar a primeira relação de Le Corbusier, autor, em 1936, do risco original do Palácio Gustavo Capanema no Rio, sede do então Ministério da Educação - marco moderno - com o Brasil.

Enquanto isso, o público já pode ver Não É Tempo de Sonhar, obra de viés crítico e tecnicamente impecável. O espetáculo de marionetes foi apresentado no Center for Visual Arts de Harvard e teve seu cenário construído pelos alunos da instituição.

"Todas as instâncias do sistema da arte estão à mostra nesta obra", diz João Bandeira, coordenador de artes visuais do Centro Maria Antonia. Depois de uma longa pesquisa, Huyghe coloca como bonecos ou personagens da obra o próprio Le Corbusier; o "reitor dos reitores" - uma figura sinistra -; os cocuradores do projeto; o próprio artista; e um pássaro. A narrativa apresenta as camadas de percalços e reflexões de dois processos criativos, o do arquiteto e o do artista visual. De certa maneira, eles buscam uma "integridade do sonho". Vídeo complexo, de 24 minutos, é acompanhado de livreto explicativo feito por Huyghe.

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