Centro Pompidou comemora 30 anos com obra de Duchamp

A mostra Airs de Paris abre na quarta-feira, 25, no Centro Pompidou, em Paris, a fim de comemorar os 30 anos do centro cultural que se tornou um dos símbolos da capital francesa. O título da exposição remete a uma das obras mais célebres de Marcel Duchamp - Air de Paris (Ar de Paris) -, mas não se trata de uma retrospectiva do artista revolucionário. É uma referência à primeira mostra do Centro Pompidou fez em 1977, dedicada ao pai do dadaísmo. Airs de Paris é uma exposição que reúne obras que tem Paris como tema. A vida dos seus habitantes e as transformações do espaço urbano são algumas das facetas exploradas pelos 54 artistas contemporâneos escolhidos para a mostra. Entre os artistas estão nomes como Duchamp, Sophie Calle, Daniel Buren, Jacques Villeglé, Louise Bourgeois, Gordon Matta-Clark, Bertrand Lavier, Nan Goldin e Jean-Luc Moulène. Há também a presença de novos artistas e várias obras foram realizadas especialmente para essa exposição, que terminará no dia 15 de agosto. Paris não é o tema da mostra, explica Alfred Pacquement, diretor do Museu Nacional de Arte Moderna. O tema é a arte e os artistas diante das mudanças do mundo contemporâneo. Todos têm em comum o fato de ter vivido e trabalhado na efervescente e criativa capital francesa. Destaques A obra de Duchamp começa a exposição. Air de Paris é um pequeno frasco de vidro que Duchamp conseguiu em 1919 de um farmacêutico parisiense após retirar o soro fisiológico que estava lá dentro. Logo depois, o artista presenteou-o a amigos colecionadores de arte do Estados Unidos. Os trabalhos exprime, a idéia de um ar de Paris que não é imóvel e que se pode transportar, esclarece Pacquement. Air de Paris já havia sido exposta em 1977 e encontra-se agora rodeada de figuras coladas em uma parede de Richard Fauguet, que inspirou várias criações de artistas modernos. A relação cidade-natureza, identidade, globalização e violência são alguns dos temas debatidos pelas obras. Gordon Matta-Clark filma a transformação do bairro Les Halles nos anos 70, enquanto Stéphane Calais propõe uma visão onírica com uma série de troncos estilizados são sobrepostos a uma lua negra e ameaçadora. Alain Bublex transforma no computador o centro parisiense e o expande com passagens subterrâneas e arranha-céus, enquanto François Curlet concretiza o princípio da arquitetura preguiçosa e cria uma espécie de iglu de cimento. O mapa-múndi de Thomas Hirschhorn, recoberto de selos colados como se fossem tumores, estão ao lado de fotos de jornais com imagens de guerra. Nan Goldin reproduz o interior de um quarto, símbolo do seu colecionismo obsessivo (filmes, livros, fotos, estátuas de santos, relíquias). E se Bertrand Lavier eleva uma prancha de skate a tótem e obra de arte, François Curlet estampa nas djellaba (a túnica tradicional dos muçulmanos) as marcas de empresas esportivas, moda nos anos 80.

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