Centro Maria Antonia põe foco na arte-educação

No dia da inauguração do atual ciclo de exposições do Centro Universitário Maria Antonia, esteve estacionado na rua onde fica a instituição o ônibus Carne, que a artista Carmela Gross transformou em obra. Como se trata de um trabalho como parte de um projeto educativo, o veículo não ficará parado: está percorrendo escolas da cidade, transportando passageiros que são educadores do Maria Antonia. Nas salas da instituição está a outra parte do ciclo de exposições, com individuais de Geórgia Kyriakakis, Rubens Espírito Santo, Paulo Monteiro, Helena Pessoa e Laura Huzak Andreato. Como sempre, há diversidade nas exposições dos ciclos - cada artista usa sua sala com trabalhos e pesquisas muito próprios. Mas, curiosamente, há nesta edição a predominância ou coincidência de pesquisas em torno da arte/educação - a começar pelo próprio trabalho de Carmela. No caso de outro artista, Rubens Espírito Santo, a discussão sobre teoria e prática de arte já está presente no título de sua mostra: Aula-de-Plástica II ou Instituição-da-Arte. Rubens Espírito Santo é dos criadores que têm forte ligação com os conceitos teóricos, com a história da arte - como ele já disse, "não acredito em inspiração" e cita como parte de sua "genealogia plástica" os "pais" Picasso, Rauschenberg, Schwitters, Pedro Cabrita Reis e o construtivismo russo. Em seu processo, "inclui o plano discursivo no interior do trabalho", define o crítico José Augusto Ribeiro. Suas obras são sempre construções com caixotes de madeira e objetos como rodas, máquinas de escrever, correntes - à primeira vista, parecem um tipo de caos ordenado. Entretanto, expressam "excesso que reitera o esquema gráfico feito em lousa improvisada, em que se misturam determinações sobre a atuação do ´artista´, do ´pensador´ e do ´professor´". A lousa verde e o giz branco, materiais característicos do ensino, estão presentes nas obras de Laura Andreato, no primeiro piso do prédio. Como define Thais Rivitti, a artista "recria experimentos que, tal como numa sala de aula, visam a formalizar em termos universais a vivência cotidiana". Num dos trabalhos, ela faz uma montanha de pó de gesso apoiada a uma lousa onde finos riscos remetem a camadas geológicas. Em outra, no chão, está a saia de uma bailarina e o registro do que seria a angulagem de seus movimentos de dança. Já Geórgia Kyriakakis apresenta a videoinstalação Forças e Fluxos, que trata de temas recorrentes em sua produção como a questão do equilíbrio e do prumo. Monitores de TV exibem vídeos em que diferentes tipos de frascos de vidro empilhados são invadidos por um líquido verde, inundando o espaço. "Embora o fluxo seja contínuo, cada espaço preenche-se a seu tempo", ressalta José Bento Ferreira. "Todas as assimetrias se nivelam e quando tudo termina, preserva-se o princípio de interdependência da construção original." Ao mesmo tempo, Paulo Monteiro ocupa a maior sala da instituição com peças em argila - nelas se vê forte o embate do artista com a matéria - e Helena Pessoa exibe instalação com 238 autosretratos pintados. Sobre fundo branco, a imagem da artista vai se repetindo nas paredes, porém, com pequenas nuances, pequenas diferenças. Ciclo de Exposições. Centro Universitário Maria Antonia. R. Maria Antonia, 294, V. Buarque, 3237-1815. 12 h/21 h (sáb., dom. e fer., 10 h/18 h). Grátis. Até 21/5.

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