Centro do Circo ganha sede na Lapa

A Central do Circo é uma associação de cinco grupos de circo-teatro, entre eles o Circo Mínimo, o La Minima e o Linhas Aéreas. Nasceu em 1999, com um galpão-sede na Granja Vianna, com aparelhos para treinamentos, ensaios e realização de eventos, como o Cabaré e o Cabarezinho. Hoje, a Central, que chega a realizar uma média de 500 espetáculos por ano, vai mostrar o resultado de sua mais nova acrobacia: a mudança de sua sede para o Galpão da Lapa, em São Paulo, um espaço com 600 metros quadrados (200 metros quadrados a mais do que o antigo), garantindo maior e melhor estrutura física para as atividades dos grupos. A Central do Circo foi um dos grupos beneficiados pela Lei de Fomento ao Teatro de São Paulo, com recursos de R$ 282 milhões, a partir de setembro deste ano.O Galpão da Lapa entra em funcionamento hoje, com aulas gratuitas de acrobacia, circo-iniciação, petit-volant, aéreos e malabares para as pessoas interessadas (as inscrições devem ser feitas pelo telefone 4612-9087). Já as oficinas nas mesmas modalidades terão início em 13 de janeiro e vão custar R$ 60,00 - metade do custo normalmente cobrado pela Central. Os cursos serão coordenados pelo Galpão do Circo, grupo dissidente da Cia. Nau de Ícaros. "A Lei de Fomento está nos garantindo não só um aprimoramento na fluência de cursos, como a abertura do espaço a novos grupos associados", explica Domingos Montagner, do grupo La Minima, formado em parceria com Fernando Sampaio (À La Carte). O Galpão da Lapa está equipado com as tradicionais cordas, trapézios e barras de balanços.Ziza Brisola, artista circense do Linhas Aéreas, em parceria com Erica Stoppel, destaca que a partir dos recursos da lei, que está mantendo os salários dos integrantes da Central, voltou a ser possível as quatro horas de ensaios diários, de segunda a sexta. "Antes, ensaiávamos quando era possível. Grande parte do tempo era dedicada a contatos para venda de espetáculos." O ator e diretor Rodrigo Matheus diz que também foram contratados dois novos atores, além de ensaiadores e mestres convidados para workshops e acompanhamento de trabalhos.Picadeiro - O teatro baseado nas técnicas circenses é uma modalidade "fortemente popular e relativamente nova no Brasil", explicam seus praticantes. Só há uma escola no Brasil regulamentada para formar o artista circense: a Escola Nacional de Circo do Rio. Outras, como a modelar Circo Escola Picadeiro, que funciona há 18 anos em São Paulo, são formadoras, mas não dão o registro profissional ao artista. Por isso, para a maioria o caminho é a profissionalização como ator, para depois traçarem a estrada do circo. Foi o caso do ator Ricardo Rodrigues, de 27 anos, que estudou artes cênicas em escola paulistana, antes de ir para a Central. Hoje, pertence ao quadro de atores do Circo Mínimo."Como toda linguagem nova, o circo-teatro tem seus desafios", diz Rodrigo Matheus. Hoje, o principal deles, segundo o ator de Deadly e Babel, é a busca de uma dramaturgia própria. "Temos questionado muito o que dizer, para quem e como dizer." Um dos projetos do Circo Mínimo, por exemplo, é a montagem de um texto clássico, adaptado para a linguagem teatral do grupo. "Não descartamos um Shakespeare, um Chekhov ou um Alfred de Musset", arrisca.Central do Circo. Galpão será inaugurado hoje com aulas gratuitas nas próximas 2 semanas. Os espetáculos de estréia serão apresentados no domingo: Cabarezinho, às 16h30. R$ 5,00; e Cabaré, às 19h30. R$ 10,00. Informações pelo tel. 4612-9087 Local: Rua Imperatriz Leopoldina, 1.248.

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