Centro Cultural São Paulo celebra seus 20 anos

Fiel à sua vocação - mesclar acervos permanentes com eventos culturais - o Centro Cultural São Paulo oferece presentes diferenciados aos seus freqüentadores - eles somam mais de 500 mil todos os anos - para celebrar seu 20.º aniversário de fundação. Alguns poderão ser aproveitados, de hoje em diante, todos os dias; outros, como um gostoso bolo de aniversário, devem ser consumidos ainda hoje. Neste último caso, estão o show do guitarrista Nuno Mindelis, às 18h30, no jardim interno, e a apresentação da Orquestra de Câmara da Unesp, num programa regido por Édson Leite, às 20 horas, na Sala Adoniran Barbosa. Ambos os eventos têm entrada grátis.Entre os presentes que, espera-se, sejam permanentes, está a reabertura da cantina local, uma constante reinvidicação de centenas de estudantes, pesquisadores e outros usuários que, não raro, passam mais de seis horas por dia utilizando alguns do muitos serviços disponíveis no local. E o diretor do CCSP, Carlos Augusto Calil, promete, para o próximo mês, a abertura de um restaurante, a cargo dos mesmos administradores do que funciona no Masp. "Demorou, mas vamos oferecer um serviço de qualidade", afirma o diretor.E tem mais. Bem ao lado do centenário jardim situado no térreo do CCSP, há uma escada em caracol - constantemente interditada - que leva a um jardim superior, com vista para a Rua Vergueiro. A partir de hoje, esse jardim estará aberto ao público que poderá apreciar esculturas vivas criadas com plantas e pedras pela artista plástica Nathalie Joiris.O Centro Cultural São Paulo foi inaugurado em 1982, a princípio com o objetivo de ser um extensão da Biblioteca Mário da Andrade. Mas, aos poucos, os múltiplos espaços dos seus quatro pavimentos foram ganhando funções não planejadas, abrigando espetáculos de teatro, dança e música, galerias de artes plásticas, cinema, oficinas, debates, cursos. Muitos artistas têm motivos para comemorar esse "desvio" do planejamento inicial. Nas artes plásticas, na música e nas artes cênicas não foram raros os que tiveram seu talento reconhecido e seus trabalhos projetados a partir da exibição no CCSP, que tornou-se o espaço ideal para a renovação artística. Antes de mais nada porque não há cobrança de "aluguel" nos espaços, o que pode significar, em alguns casos, a diferença entre mostrar ou não um trabalho. E, do ponto de vista do acesso ao público, porque a maioria dos eventos tem preços populares ou são gratuitos.Mas vale ressaltar que esse "desvio" não provocou o abandono da vocação inicial. A biblioteca do CCSP ocupa um espaço de 9.140 metros quadrados e tem um acervo de mais de 155 mil títulos com mais de 400 mil exemplares entre acervo convencional e especial, como livros de arte, acervo em braille (mais de 6 mil títulos), discos, fitas, partituras, gibis e acervos históricos.Esse acervo atrai boa parte dos usuários que se espalham pelos amplos espaços do prédio, cujo projeto arquitetônico, criado por Eurico Prado Lopes e Luís Benedito Telles, privilegiou as estruturas de aço vazado e a transparência do vidro, permitindo a entrada da luz natural. A localização privilegiada, próximo ao metrô Vergueiro, é outro fator de atração.Um setor importantíssimo do CCSP, e menos conhecido do grande público, é a Divisão de Pesquisas, que tem origem no antigo Centro de Pesquisas da Arte Brasileira Contemporânea do Idart (Departamento de Informação e Documentação Artística). São oito equipes técnicas que se dedicam a acompanhar, registrar e documentar a produção paulistana contemporânea nas áreas de arquitetura, artes cênicas, gráficas e plásticas, fotografia, cinema, comunicação de massa, literatura e música. Para manter e aprimorar esse importante centro de pesquisa, Calil tem procurado apoios na iniciativa privada. A Vitae tornou-se um desses importantes patrocinadores. Entre outros apoios, a Vitae está patrocinando a recuperação da coleção de negativos do fotógrafo Fredi Kleemann (1928-1974), que captou mais de 18 mil imagens de momentos significativos da história do teatro brasileiro."Acho que esse caráter museológico do CCSP não está devidamente cuidado. Se somados, todos esses acervos possuem mais de 1 milhão de elementos." Segundo Calil, seria importante que o centro deixasse de ser um departamento dentro da administração municipal para tornar-se autarquia. "Teríamos mais autonomia e recursos para até triplicar o número de freqüentadores do CCSP, sem dúvida já um dos espaços mais democráticos da cidade."

Agencia Estado,

13 de maio de 2002 | 11h18

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