Centro Cultural São Paulo abre ciclo de exposições

O Centro Cultural São Paulo (CCSP) inaugura ao meio-dia de sábado a primeira das quatro mostras que realizará este ano para apresentar o trabalho dos artistas selecionados para participar do Programa de Exposições 2001, projeto bem-sucedido iniciado no início da década de 90 e que passa apenas por alguns ajustes nesta nova gestão municipal, como o lançamento de uma série de impressos sobre os artistas, patrocinada pela editora Takano. Uma primeira grande mostra coletiva foi realizada no início do ano reunindo trabalhos de todos os artistas selecionados pela comissão julgadora e agora chegou a vez de Luiz Rodolfo Annes, Rafael Campos Rocha, Thiago Honório e Wagner Malta Tavares mostrarem sua produção de forma mais abrangente. Mesmo que seguindo caminhos distintos, os quatro compartilham uma certa delicadeza e uma economia de recursos e gestos.Por uma feliz coincidência e contrapondo-se ao predomínio de artistas do sexo masculino, a curadoria do CCSP convidou Sandra Cinto e Marcia Xavier para exporem com os jovens selecionados - já faz parte da tradição do projeto chamar artistas experientes como convidados especiais das mostras. Dividindo um mesmo e amplo espaço, as duas artistas também optaram por realizar intervenções bastante enxutas, de uma simplicidade muitas vezes desconcertante.Marcia Xavier dá continuidade à pesquisa urbana iniciada ano passado, para a mostra Território Expandido - um desdobramento do Prêmio Multicultural Estadão. No CCSP ela mostra dois trabalhos. O primeiro, que chama de Binóculo, é uma montagem utilizando duas fotos aéreas de zonas circulares da grande São Paulo (Guarulhos e Vila São Matheus), que são refletidas e distorcidas por espelhos. Numa outra parede, ela faz dois grandes furos redondos na divisória do espaço, lançando o espectador para fora da sala de exposições, para a rua.Se Marcia volta seu olhar para fora, Sandra mostra o resultado de um mergulho introspectivo que, além de parcimonioso - no que se refere a formas e cores -, tem algo de melancólico, de angustiado. Os dois trabalhos serão discutidos em encontro das artistas com o crítico Tadeu Chiarelli.São três trabalhos (duas fotos-objeto e uma escultura) que, juntos, compõem uma instalação que a artista considera como uma espécie de auto-retrato. Essa nova fase é um desdobramento de uma temporada solitária e reflexiva, no ano passado em Paris, em que descobriu - após várias tentativas frustradas de encontrar um estímulo criativo externo - que o que lhe interessava era olhar para dentro. Daí o predomínio quase absoluto do cinza, segundo ela a cor da introspecção, do vazio.As referências à sua produção anterior são muitas, como a permanente presença dos desenhos, uma crescente alusão ao universo infantil (que já encontramos em obra mostrada no início do ano no MAC) ou uma citação clara a Magritte, uma de suas grandes fontes de inspiração. Mas surgem também nessa obra elementos novos, plenos de significado como o dado (que mostra como a sorte, que já está lançada, é indecifrável e misteriosa) ou a porta. "No fundo, a gente fica falando da mesma coisa e a minha pesquisa fala desse vazio que nos acompanha", explica a artista.1ª Mostra do Programa de Exposições 2001. De terça a sexta, das 10 às 19 horas; sábado e domingo, das 10 às 18 horas. Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 16/7. Abertura no sábado às 12 horas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.