Centro Cultural de São Paulo cheio de novidades

O Centro Cultural São Paulo (CCSP) aproveita amanhã para inaugurar uma série de novidades em seu espaço. Depois de um período de reformas no piso verde, que a partir de agora recebe o nome Piso Flávio de Carvalho (1899-1973) em homenagem ao artista, a instituição reabre a Biblioteca Sérgio Milliet, a Biblioteca de Arte Volpi e a Discoteca Oneyda Alvarenga. Além disso, na marquise do prédio, foi preparada para lá ficar permanentemente a instalação Memória das Águas, de Amelia Toledo; e ainda serão inauguradas exposição com obras de Anatol Wladyslaw (1913-2004), doadas pela viúva do artista, e a primeira mostra do Programa de Exposições 2006 com a participação de 7 dos 21 selecionados. A instituição também exibe o painel Araras, de Flávio Império (1935-1985). Em Memória das Águas, Amelia Toledo usa as pedras como matéria de criação, já uma marca na produção da artista nestes últimos tempos. A obra acompanha os degraus ao lado dos canteiros de grama e transforma-se numa grande passarela com gradações de três cores: do verde do quartzo para o azul dos quartzitos em relação com o cinza do concreto e dos mármores encontrados nos leitos dos rios do sertão brasileiro, no norte da Bahia, colocados na obra para funcionar como bancos de pedras. "Os blocos de mármore são esculpidos pelas águas", diz Amelia, numa maneira de remeter ao título dessa nova obra. Neles, pode-se sentar - e o grande sentido de se fazer essa instalação foi o de criar "espaços de estar", como afirma a artista, já que o CCSP tem esse caráter de ser local para estudo, encontros e atividades para todo o tipo de público. Os degraus que já pertenciam ao prédio e foram tomados pela obra de Amelia também podem ser usados para se sentar - neles foram usadas chapas de aço inox que espelham o chão. O piso de sua instalação, feita com seixos rolados de quartzitos azuis e quartzos verdes em dois trechos, remete ao pensamento pictórico por causa dos jogos de camadas dessas cores tão diretamente ligadas à água. "Minha escultura também é pintura", diz Amelia, que no dia 2 de maio inaugura em Florianópolis a mostra Entre, a Obra Está Aberta, exibida em 1999 na Galeria de Arte do Sesi, que agora passa a ser itinerante. "Pinto com as pedras", completa a artista, que também lembra que desde tempos remotos sempre foi desse material da natureza que eram tirados os pigmentos para a prática da pintura. Já a mostra com obras de Anatol Wladyslaw, um dos nomes do concretismo paulista, integrante do Grupo Ruptura, reúne trabalhos realizados entre 1946 e 2004 e apresentam seu caminho da figuração à abstração - a viúva do artista, Blanka, também doou recentemente pinturas e desenhos ao Masp. No caso da doação para o acervo municipal, as obras foram selecionadas por uma comissão formada por Lorenzo Mamm, Stella Teixeira de Barros e Denise Grinspum. Por fim, a primeira mostra do Programa de Exposições 2006 apresenta os trabalhos de Jurandy Valença, Fábio Tremonte, Henrique Oliveira, Rafael Alonso, Marco Willians, Kika Nicolela e Marcelo Camacho. O júri de seleção foi composto por Marcelo Araújo, diretor da Pinacoteca do Estado, pelos artistas Nelson Felix e Artur Lescher e pela diretora da divisão de artes plásticas do CCSP, Inês Raphaelian. Centro Cultural São Paulo. R. Vergueiro, 1.000, Paraíso, metrô Vergueiro, 3277-3611. As exposições abrem amanhã, às 11 horas. Grátis.

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