Censura: Governo não quer "teimosia" de emissoras

A secretária Nacional de Justiça, Elizabeth Süssekind, anunciou ontem que vai enviar ao Ministério Público Federal todas as denúncias de telespectadores sobre a qualidade de programas de televisão. Süssekind afirmou que o governo federal não vai admitir "teimosia reiterada" de emissoras, que insistem em veicular programação com conteúdo violento e impróprio para menores. Süssekind disse que o governo pode até aceitar certa "flexibilidade" com relação à programação de televisão. Uma destas flexibilidades é, por exemplo, a veiculação de cenas ao vivo, de difícil controle por parte do governo, ou mesmo trechos de novelas que são regravados pelas emissoras, que nem sempre passam pelo crivo da Justiça. "Mas não vamos admitir teimosia reiterada", reafirmou a secretária. O governo federal tem recebido todas as cópias de filmes para classificação, mas a programação de TV não é averiguada em todo o seu conteúdo. Algumas novelas, por exemplo, têm apenas alguns capítulos analisados. Em muitos casos, a avaliação do governo é feita sobre as sinopses, amostras de capítulos ou mesmo roteiros feitos pelas emissoras. Muitas vezes as emissoras apresentam recursos e o governo volta a reclassificar a programação. Reclamações - Uma das poucas reclamações das emissoras tem sido a obrigatoriedade de mostrar os traillers de filmes proibidos para menores somente nos horários em que estes filmes podem ser divulgados. Os empresários reclamam que perdem uma parcela da audiência, já que muitos jovens que poderiam ficar acordados para assistir ao filme não vêem os traillers. Süssekind alertou que o governo federal somente fez algumas alterações na portaria, que vigorava desde 1.990. Além de acrescentar a faixa dos programas impróprios para 16 anos, o governo determinou que a programação de "telesexo" seja veiculada entre 24 horas e 5 horas.

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