Censabella promete "La Traviata" sem vulgaridade

"Estou me sentindo como se estivesse em casa", confessa o maestro Reinaldo Censabella, declarando-se contente por estar de volta ao Teatro Municipal para reger, a partir do dia 20, La Traviata, de Giuseppe Verdi. Tendo conduzido aqui Lucia di Lam-mermoor, no ano passado, o maestro Censabella - recém-nomeado diretor musical do Teatro Colón - admite estar "trabalhando duro para obter o máximo rendimento da orquestra, e dar à música de Verdi a melhor execução possível, sem qualquer vulgaridade ou facilidade de efeitos. É preciso muito esmero, para se ter a interpretação refinada que Verdi merece. É preciso tocar Verdi como se fosse Mozart".Especialmente no caso da Traviata que, na carreira de Censabella, ocupa um lugar de importância sentimental: "Foi a primeira ópera que regi, em 1975, em La Plata. Estudo-a desde que comecei a reger. É uma ópera que levo nas vísceras. Mas, por mais que a dirija, sempre descubro nela novas alternativas. Nisso está a grandeza dos verdadeiros gênios, como Verdi: a Traviata é de uma escrita simples e direta, acessível a qualquer tipo de público; mas tem enorme riqueza de possibilidades interpretativas. É uma das óperas mais populares de Verdi. E o público tem toda a razão de gostar dela".Casal convincente - O tenor italiano Carlo Ventre, que fará o papel de Alfredo, já é conhecido de Censabella: dois anos atrás, ele o regeu no Colón, ao lado de June Anderson, nesta mesma produção de Enrique Bordolini que será levada em São Paulo, e é originária de Santiago. "Acredito que ele formará com Patricia Racette (a intérprete de Violetta Valéry) um casal muito convincente. Ambos são jovens, bons atores e têm o físico do papel. Hoje em dia, não basta saber cantar bem: exige-se também que os cantores sejam verossímeis no palco. Ainda mais numa ópera como a Traviata, que é a precursora da escola realista."Patrice Racette foi revelada ao público americano, tempos atrás, ao substituir Angela Gheorghiu numa montagem da Traviata, dirigida por Franco Zeffirelli, no Metropolitan de Nova York e, desde então, tem sido aplaudida como uma das melhores intépretes atuais do papel. Ao lado dela e de Carlo Ventre, estará o respeitado barítono Renato Bruson que, na década de 70, já fez o papel de Germont em São Paulo, numa memorável montagem com Ileana Cotrubas e Beniamino Prior. Censabella confessa-se muito entusiasmado com o elenco que dirigirá aqui.Ele está há 28 anos no teatro de que, agora, é o diretor musical. "Comecei em 1973 como maestro colaborador e, 13 anos, passei a maestro assistente, ao mesmo tempo que dava aulas no Instituto Superior de Artes do Colón, onde leciono até hoje. A ´outra´ Bohème - a de Leoncavallo, injustamente bem menos lembrada do que a de Puccini - foi a primeira ópera que regi no Colón, em 1982. E, desde então, formei um repertório de cerca de 30 títulos.""São basicamente óperas italianas, de Rossini ao Chapéu de Palha de Florença, de Nino Rota", continua Censabella. "Mas com incursões também no domínio francês: Os Contos de Hoffmann, de Offenbach, Werther e Manon, de Massenet, Romeu e Julieta, de Gounod, óperas de que gosto particularmente. Só não me dão óperas alemãs, talvez porque, pelo meu nome, achem que eu deva reger música italiana; embora me agradasse muito a idéia de fazer um Tristão e Isolda ou um Parsifal (de Wagner), O Cavaleiro da Rosa, quem sabe, ou Ariadne auf Naxos (de Richard Strauss)."Sem limitações - Censabella diz não querer "limitar-se aos autores mais previsíveis" embora, dentro desse acervo básico, tenha suas preferidas - "duas das quais tive o prazer de reger no Rio de Janeiro: a Norma, de Bellini, em 1996, e o Nabucco, de Verdi, dois anos depois". Avaliando esta sua segunda experiência com a orquestra do Municipal de São Paulo, Censabella frisa a boa relação de entendimento que tem com os músicos, condição essencial para que, juntos, possam alcançar aquela "execução refinada, que capte o colorido típico, o fraseado exato, o legato característico da música de Verdi".Regida por Reinaldo Censabella, esta montagem da Traviata tem no elenco Patrícia Racette, Carlo Ventre e Renato Bruson (e Andrea Ferreira, Miguel Geraldi e Jang Ho Joo como doppioni). A direção cênica é de Alejandro Chacón, os cenários e iluminação de Enrique Bordolini, e os figurinos de Imme Möller.

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