Cenas idílicas com banhistas, músicos e bailarinos

NOVA YORK

Tonica Chagas ESPECIAL PARA O ESTADO NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2010 | 00h00

Em 1909, Matisse sugeriu cenas idílicas de dançarinos, músicos e banhistas para compor painéis que iriam decorar a escadaria da casa do colecionador russo Sergei Shchukin, em Moscou. Shchukin não gostou dos banhistas, mas mesmo assim o artista começou a pintar o quadro com eles. Radiografias revelam que, inicialmente, a tela (260 x 392 cm) era ocupada por quatro figuras em torno de uma pequena cascata, um riacho e uma cobra, tudo em cores pastéis. No ano seguinte, Matisse fez a primeira série de revisões, modificando posições e poses.

Provavelmente em maio de 1913, ele começou a trabalhar num terceiro estágio, tornando as figuras mais rígidas e alterando suas formas com as cores rosa claro, cinza escuro e preto. Em novembro daquele mesmo ano, mudou um pouco mais as posições das quatro e lhes deu formas mais cubistas. Além disso, alterou totalmente a vibração da cena cobrindo rosas, verdes e azuis com vários tons de cinza.

Pesadas. Três anos depois, ele retomou o trabalho para substituir a paisagem e a cascata por faixas verticais de cor e folhas estilizadas. Também raspou e acrescentou camadas de tinta, suavizando-as em torno das figuras para deixá-las mais pesadas e geométricas. Reintroduzindo azul, verde e branco no fundo da imagem, ele fez várias combinações de cores e repintou algumas faixas verticais até seis vezes. A da esquerda passou de azul claro para branco, preto, novamente branco e outra vez azul, ainda mais claro que o primeiro, com folhas contornadas em preto que depois Matisse pintou de verde.

Finalmente, entre janeiro e outubro de 1917, ele se concentrou em duas áreas da tela. Continuou a mexer nas folhas, raspando a tinta para revelar camadas anteriores, refazendo contornos e limpando as linhas. A faixa entre a terceira e a quarta figura também ganhou uma camada fina de branco sobre o azul. / T.C.

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