Cenas de <i>Pé na Jaca</i> são gravadas em Paris

Chuva, burocracia, trânsito, tudo isso foi relativamente fácil para a equipe da Globo, que voltou no domingo para o Brasil após duas semanas gravando sua próxima novela das 7, Pé na Jaca, em Paris. Difícil mesmo foi traduzir para seus colaboradores franceses o título da nova trama das sete. Pied dans le Jacques? Não significa muita coisa...mas bom, a mímica e o inglês sempre resolvem tudo e a produtora French Connection, contratada para trabalhar durante duas semanas com a emissora brasileira, não decepcionou.?A língua, as diferenças culturais, o ritmo de trabalho, tudo isso é um desafio quando se grava uma produção no exterior. Mas não posso reclamar, os franceses foram muito amáveis. Paris é uma cidade habituada com as câmeras, nesse momento estão sendo gravadas cinco produções aqui?, disse o diretor Ricardo Waddington, que precisou enfrentar algumas situações inusitadas na capital francesa. Por exemplo: pedir autorização à produção do novo filme de Jack Nicholson, que tem direito a utilizar a Pont Neuf por um mês, para instalar bem ali as câmeras globais. ?Nesse caso não teve problema, eles falavam em inglês?, brincou o diretor. Não se pode negar também que alguns membros da equipe brasileira se esforçaram para falar a língua natal. Quando cheguei para acompanhar a gravação na terça-feira, na Pont des Arts, uma produtora tentava explicar ao dublê de Marcos Pasquim (vestido com uma camiseta da seleção brasileira de futebol) como seria a cena em que ele saltaria da ponte dentro de um batobus em pleno rio Sena. ?Pas préoccupé!?, dizia, tentando tranqüilizar o dublê quanto ao risco do salto ousado. A mesma produtora, quando me viu, perguntou se eu era figurante. ?Não...?, respondi, ?mas posso participar da cena, se você quiser...?Não é pouca coisa gravar cenas de ação em plena Paris, cheia de turistas o ano todo. Autorização da prefeitura (as ruas não podem ser bloqueadas por mais de três minutos, segundo o diretor), tempo instável (na cidade Luz chove muito) e, principalmente, uma certa, digamos, indiferença por parte dos parisienses. ?Não podemos parar um francês na rua e pedir para ele mudar de calçada?, disse Waddington. ?Então várias cenas fizemos com a câmera escondida, que ficava mais fácil.?O expediente reuniu cerca de 70 profissionais - 40 da Globo e 30 locais- , mais 300 figurantes e 25 atores. Mais complicado ainda é realizar as cenas de ação propostas pelo autor Carlos Lombardi. ?Geralmente, cenas de novela gravadas no exterior são mais contemplativas, mas nesse caso, Paris é pano de fundo para a história?, diz. De todo jeito, bem que ele merecia Paris depois de enfrentar as mutucas em Rondônia na minissérie Mad Maria (2005) e o deserto do Atacama em Bang Bang.Pano de fundo que custa caro, é verdade (cada capítulo custa em média US$ 150 mil), mas oferece ao telespectador a chance de conhecer os principais pontos turísticos da cidade, aquilo, nas palavras do diretor, que o público quer ver: Sacre Coeur, Trocadero, Louvre, Torre Eiffel, Arco do Triunfo...Tudo isso para enquadrar a história da protagonista da novela, Fernanda Lima, uma modelo que conquistou fama no exterior e mora em Paris.S?il vous plaît, FernandaA atriz, criticada pela atuação discutível em Bang Bang, tem a chance de se redimir com a personagem Maria. ?Com a experiência as coisas vão ficando mais tranqüilas?, diz. Mais ?tranqüilo? também porque se trata de uma comédia romântica, engraçadinha, bem ao estilo novela das 7. Mas como nem tudo na vida é fácil, Maria fala francês. ?Tem uma cena em que ela esta bêbada dirigindo, é parada por um policial, e precisa explicar a situação em francês, e bêbada!?, conta. Maldade, hein Lombardi? Mas ela está confiante. ?Os textos que recebi até agora são engraçados, ela é toda desaforada?, explica. O par romântico de Fernanda é Marcos Pasquim, o Lance, que foge do Brasil e está sendo perseguido pela polícia - daí a cena em que seu personagem se joga da ponte.Uma experiência diferente para os atores da Globo (além de Fernanda e Pasquim, estão na cidade Beth Lago, Drica Moraes, Ricardo Pereira, Peter Ketnath, Mouhamed Harfouch e Selma Egrei) é a de passar despercebidos na cidade. Acostumados a dar autógrafos em qualquer esquina no Brasil, na França eles são completamente anônimos, exceto quando cruzam um turista conterrâneo munido de uma digital. ?É impressionante, porque encontramos um monte de brasileiros em todos os lugares. Eu os reconheço pelos olhos, antes mesmo que falem?, comenta Fernanda Lima. É Fernanda, sempre haverá Paris.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2006 | 19h09

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