Cenas de horror gótico

Em obra anterior ao Prêmio Pulitzer de 2011, Jennifer Egan homenageia o gênero

Vinicius Jatobá, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2012 | 03h09

Jennifer Egan é um prodígio: dona de um arsenal técnico maduro, ela explora a plasticidade do gênero romance sem jamais entediar o leitor. O primeiro capítulo de O Torreão é um tour de force: toda luxuriante carga imaginativa dos protagonistas, os excêntricos Danny e Howard, e o sinistro castelo para onde se deslocam são apresentados em uma dezena de páginas.

Inspirada na tradição inglesa de narrativa gótica, com seus corredores labirínticos e pesadas portas cerradas e passagens lacradas, Egan leva esse universo e seu estilo convoluto para o campo do realismo fantástico e da narrativa pós-moderna - o romance é o texto que Ray escreve em uma oficina literária para seduzir sua professora.

Egan não escapa do universo contemporâneo: seu livro é repleto de referências a tecnologia e cultura de RPG, e há algo na velocidade com que os capítulos mudam de assuntos e de temas e até de estilos que recobra a forma como se lê hoje fora do suporte livro: avançando de site em site, de link em link. O leitor, no entanto, guiado pelos artifícios estilísticos da autora, não se perde nessa delirante homenagem à literatura de horror. 

VINICIUS JATOBÁ É CRÍTICO LITERÁRIO

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