Cenário revive Rio dos anos 40

A mesma equipe que idealizou o final do século passado em Terra Nostra, reconstruindo uma Avenida Paulista que poucos conheciam, foi encarregada de "montar" o Rio de Janeiro da década de 40, cenário de Aquarela do Brasil. Dezessete dias foi o prazo para "levantar" a cidade cenográfica onde estão a Rádio Carioca, o Night Club Havana e outros tantos lugares que contarão a história escrita por Lauro César Muniz.O último capítulo de Terra Nostra foi ao ar em 5 de junho, e já no dia 22 os atores estavam gravando. "Vencemos uma batalha contra o tempo", afirma Maria Alice Miranda, gerente de produção da minissérie. Segundo ela, a missão só foi possível graças a integração da equipe, que trabalha junta desde Chiquinha Gonzaga.Raul Travassos, que coordena a cenografia, precisou reproduzir várias ruas do Rio de Janeiro, com bares, cassinos e casas dos personagens, desde a mansão onde vive a família de Armando (Odilon Wagner) até a favela no morro, reduto do compositor Bemol (Norton Nascimento).Pesquisa - A Rádio Carioca mereceu cuidado especial e ganhou estúdios, sala de sonoplastia, camarim, administração e até um auditório, seguindo os modelos das grandes rádios da década de 40. "A história começa no momento áureo do rádio brasileiro, que emitia grandes vozes", ensina Lauro César.Carros da época, bicicletas e ônibus (que foi encontrado através de um colecionador) circularão pelas ruas, abrindo espaço para os veículos militares, como jipes e caminhões. Já as fardas foram uma das maiores dificuldades encontradas pelo figurinista Paulo Lóis. "São vários tipos de fardas e armas. É um vestuário que tem muitas regras."Entre as curiosidades da época, Paulo descobriu que quando os integrantes da Feb (Força Expedicionária Brasileira) partiram para a Itália, usavam uniformes brasileiros. Ao chegar no campo de batalha, perceberam que, além de não terem vestimenta apropriada para enfrentar o frio, suas roupas eram muito parecidas com as usadas pelo inimigo, o exército alemão. Para evitar engano, os pracinhas passaram a usar fardamento americano. Para vestir o restante do elenco a tarefa foi mais fácil, mas também precisou de muita pesquisa, principalmente nos brechós de São Paulo e Rio de Janeiro. "Tivemos que restaurar e tingir alguns figurinos, além de adaptá-los aos atores", explica Paulo. Ele avisa que alguns figurinos sofrerão mudanças no decorrer da minissérie, ilustrando o antes, durante e após o período de Guerra. Maria Fernanda Cândido se vestirá com tons pastéis para viver a romântica Isa. Já Ângela Vieira, como a ex-vedete Velma, abusará dos decotes, tons fortes e brilhos. Construída a cidade, equipados os personagens, chegou a vez de reproduzir todo o material gráfico que circulava pelas mãos dos brasileiros na década de 40. Revistas de rádio, moda, jornais como O Globo, Diário da Noite e Correio da Manhã, capas de discos de vinil, pôsters, caixas de cigarros, letreiros de loja, publicidade, enfim, tudo precisou ser refeito com base em exemplares guardados por colecionadores. "Em 43, o Brasil passou por uma grande reforma ortográfica que no começo da minissérie estava sendo implantada. Por isso, o público verá o português antigo, ainda presente em letreiros das lojas, por exemplo. A nova grafia já estará sendo usado nos jornais", explica Tiza de Oliveira, da produção de arte. Com um incrível levantamento histórico, Lauro César Muniz e Jayme Monjardim prometem uma história de mistério e paixão. "A Aquarela do Brasil vai falar sobre esse contexto contraditório e incrível que foram os anos 40. Prova disso tudo é a composição de Ary Barroso, que dá nome à minissérie. Não existe nenhuma música mais ufanista que Aquarela, cantando um país cheio de maravilhas numa época sombria", define o escritor.

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